Beatificação de dom Romero
Dom Romero (1917 1980), arcebispo de São Salvador, é mais um mártir da fé e do amor aos pobres. Foi fuzilado no dia 24 de março de 1980 durante a celebração da missa. Foi beatificado recentemente no dia 23 de maio de 2015. Na mensagem de beatificação, o papa Francisco escreveu que dom Romero foi um "construtor da paz com a força do amor". Ainda mais, precisamos agradecer a Deus porque concedeu ao bispo mártir, a capacidade de ver e de ouvir o sofrimento do povo, afirma o papa Francisco.
Em dom Romero vemos o bom Pastor que vê a opressão, ouve os clamores do povo e opta pelos mais pobres, sempre fiel ao Evangelho, em comunhão com a Igreja e a favor da Justiça. Deu o exemplo dos melhores filhos da Igreja. Nele havia bom senso, reflexão, respeito pela vida. Não agiu por ideologia nenhuma, mas por uma profunda conversão aos pobres à luz de Jesus de Nazaré.
Com coração de pai ocupou-se com as maiorias pobres de seu País. Sua voz ressoa ainda hoje pedindo: "Transformem as armas em foices para o trabalho". Aconselhava também que "é preciso renunciar à violência da espada, do ódio e viver a violência do amor que consiste em superar o próprio egoísmo".
O cardeal Amato, na homilia da missa de beatificação de dom Romero disse: "Eis um sacerdote bom, um bispo sábio, um mártir corajoso". Seu martírio não foi improvisado, teve uma longa duração, pois desde estudante de teologia fez o "voto de entregar sua vida a Deus". Sofreu ameaças, atentados, perseguições, humilhações até que uma bala traiçoeira o atingiu e seu sangue se misturou com o sangue do redentor.
Os quatro amores de dom Romero eram: a Eucaristia, a Igreja, a Virgem e o povo. Repetia sempre esta oração: "Oh Deus, tu és o tudo, eu sou o nada. Mas, teu amor quer que eu seja muito". Com tal força mística, dom Romero pôde fazer muito com o "tudo de Deus e o seu nada", mesmo tendo um temperamento tímido, reservado, moderado e prudente.
Convidava seus perseguidores à conversão, ao bem e garantia-lhes o seu perdão. Dom Romero não é símbolo de divisão e sim de paz, concórdia, reconciliação e fraternidade. Escreveu: "Julguei um dever de consciência colocar-me com firmeza na defesa da minha Igreja e do povo oprimido". Sua opção pelos pobres não era ideológica, era evangélica. Convidava seus filhos divididos a se converterem ao amor, ao perdão, à concórdia. O amor pastoral infundia-lhe uma força extraordinária.
Em honra a dom Romero, as Nações Unidas proclamaram o dia de sua morte (24 de março) como "Dia do direito à verdade". No dia 2 de fevereiro de 1980 recebeu o diploma honoris causa, pela Universidade de Lovaina na Bélgica. Ele não era teólogo, nem intelectual, nem reformador, muito menos político. Era homem de Deus.
Deus é admirável nos seus santos. Dom Romero era um bispo de tradição tridentina, teve dificuldades em entender a Conferência de Medellin, sempre fiel defensor do papa e do magistério. Era severo consigo, introvertido, de família muito pobre, devoto do coração de Jesus. Trabalhou com a Legião de Maria, os cursilhos, a Ação Acatólica, a Guarda do Santíssimo Sacramento, a Terceira Ordem Franciscana.
A fidelidade à realidade sofrida do povo fez dom Romero converter-se aos pobres até ao martírio. Durante seu ministério episcopal, 30 sacerdotes foram assassinados, igualmente vários catequistas. Fiéis leigos foram afastados, expulsos, torturados e muitos até hoje desaparecidos.
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br





