BC quer conter expansão econômica
Na contramão do pensamento da presidente eleita Dilma Rousseff, que parece inclinada a reduzir os juros do crediário, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou ontem que as projeções atuais da instituição para a inflação não permitem uma redução substancial da taxa básica de juros. Meirelles teme a aceleração dos preços e, no caso, a redução dos juros seria um combustível para essa corrida. Basta analisar suas palavras ao repórter Eduardo Cucolo, da Folhapress, ontem: O Banco Central tem um compromisso com a meta de inflação e tomará as medidas adequadas para manter a inflação na meta.
Em resumo: Meirelles acha que a inflação atual não permite redução substancial de taxas. A declaração sugere que o BC tem estudo apontando para um aumento real dos preços dos alimentos e bens de consumo durável. Resta reconhecer que a meta estabelecida para a inflação já foi superada em setembro no acumulado de 12 meses. Ontem, o governo informou que a inflação ao consumidor atingiu em outubro sua maior taxa (anualizada) dos últimos 25 meses (4,4%).
Meirelles foi buscar exemplos na economia chinesa. Comentou que as medidas já adotadas pela China para moderar o ritmo de crescimento indicam que pode haver algum aperto da política de juros. A China está tomando medidas visando moderar o ritmo de expansão econômica, visando evitar pressões inflacionárias e na formação de preços de ativos. Evitando a criação de bolhas e distorções em sua economia. Na medida em que se faça uma contração da liquidez, pode-se esperar que possa haver algum aumento da taxa de juros
doméstica.
Se o Brasil, por temer inflação, reduzir o ritmo de crescimento, vai dar um tiro no pé. Se com uma expansão de 13% na produção industrial - motor de outros setores - ainda mantém alta a taxa de desemprego e pobreza, imagine o estrago que fará a retenção desse crescimento.





