Ao primeiro indício de que a inflação poderia reaparecer, o Conselho de Política Monetária aumentaria os juros básicos (Selic) e, consequentemente, as taxas elevadas do crediário seriam um inibidor da demanda agregada de bens. Demanda que é o acelerador da alta dos preços. Outro inibidor seria a redução dos prazos. A economia estaria, de novo, assistindo o uso de um instrumento de política monetária para controlar a inflação.

Este cenário estava desenhado em fevereiro. Mas o estouro da boiada, isto é dos preços, não se confirmou e o Banco Central, baixou as guarda. Os indicadores estão mirando para estabilidade dos preços. Tanto que ontem o governo já falava com mais desenvoltura sobre o assunto. E a exemplo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está convencido de que não há a menor necessidade de o Banco Central elevar a taxa básica de juros na reunião do Copom, da semana que vem.

Outro fator exerceu certa influência sobre a aposta do BC. O impacto obtido com a decisão em fevereiro - de aumentar o recolhimento dos compulsórios dos bancos é igual ou maior do que o que poderia ser obtido com a alta dos juros porque enxuga a economia, ao retirar dinheiro do mercado. Lula tem alertado a todos que está ''muito atento'' às movimentações da economia, principalmente em relação à possibilidade de elevação da inflação.

Ano de eleição o governo não quer aumentar juros. Não pega bem. Mas também não quer dar chance à inflação que prejudica primeiro o bolso do assalariado. Lula já deixou claro que entende que, se for necessário, o aumento dos juros para conter a inflação em algum momento, o governo não hesitará em fazer isso, ''sem temer qualquer impacto eleitoral nesta medida'' - segundo a Agência Estado, ontem. Para o presidente, depois de sete anos de governo, a população já entendeu que o governo não vai brincar com questões econômicas, vai manter o rigor nas contas públicas, sem deixar haver qualquer tipo de desequilíbrio fiscal e que saberá compreender se houve necessidade de se tomar alguma medida para conter a inflação, sem temer qualquer efeito eleitoral.

O presidente Lula, ao mesmo tempo que acha que não é necessário aumentar a taxa de juros, também está convencido de que não há espaço para que os juros sejam reduzidos. Embora o governo reconheça que, pela solidez da economia, os juros já poderiam estar menores, reconhece que o momento não é para mexer neles.

Para o governo, ''não há pressão inflacionária como alguns economistas estão alardeando no momento''.

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