Batalha contra drogas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de dezembro de 2002
Jorge Salles 
Os casos de violência relacionados ao consumo de drogas vêm provocando não só uma enorme repercussão na mídia como assustado a sociedade. Ante o caos, não deixa de ser elogiável os esforços que algumas organizações para enfrentar esta ameaça coletiva, com pouco ou nenhum apoio oficial. O fato é que cresce o número de dependentes, aumentando o medo e a insegurança.
Ao Estado compete liderar - com apoio da mídia e da sociedade organizada - um grande mutirão capaz de superar este desafio. Uma questão fundamental é que todos os atores envolvidos nesta empreitada evitem cair nas armadilhas fáceis do moralismo e nas tentativas desesperadas e exclusivas das soluções repressivas.
Cabe ao poder público reprimir, através das forças policiais, o grande negócio que se transformou o tráfico de drogas. E é preciso que haja uma mobilização capaz de convencer e conscientizar os jovens do risco a que estão expostos a cada dia.
Também é imprescindível vontade política dos governantes, com a estruturação de uma coordenadoria antidrogas, ligada ao poder decisório do Estado à semelhança do já existente no governo federal. Uma instância ágil, desburocratizada e que lidere todos os esforços necessários através da estrutura formal do Estado. A criação de um Fundo Antidrogas com recursos advindo, por exemplo, do ICMS da venda de cigarros e bebidas. Reformular o Conselho Estadual de Entorpecentes do Paraná que, com funções normativas e deliberativas, ampliará a participação de organizações que atuam na área.
O estímulo e apoio financeiro à municipalização das ações - a criação de Conselhos Municipais Antidrogas é o primeiro passo - assim como estruturar Unidades Especializadas nos hospitais universitários para tratamento e diminuição dos agravos e, principalmente, a organização de um Grupo Técnico Multidisciplinar permanente, para homogeneizar os conceitos, definir as diretrizes aos projetos macros e coordenar o treinamento dos envolvidos através das instituições de ensinos estaduais e privados.
ÉE fundamental neste processo o engajamento de professores bem como recuperar para servir a comunidade, a experiência e o conhecimento de voluntários da terceira idade. Muitas destas ações poderão ser financiadas com recursos do Fundo Nacional Antidrogas do governo federal, além da possibilidade de captação recursos em organismos internacionais e a desejável parceria com a iniciativa privada. Mao-Tse-Tung, o líder chinês, afirmou que ''toda grande marcha começa pelo primeiro passo''. O desafio está posto. Basta que queiramos mudar.
JORGE SALLES é médico psiquiatra em Curitiba.


