São Jorge do Oeste, município de cerca de nove mil habitantes localizado no Sudoeste do Paraná, está entre as 37 redes municipais brasileiras de ensino que asseguram aprendizado de qualidade, segundo pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Na avaliação, a cidade atingiu conceito superior a cinco pontos, ficando em primeiro lugar entre os municípios paranaenses e em segundo na região Sul, atrás apenas de Farroupilha (RS).
Em entrevista à FOLHA, o secretário municipal de educação, Guilherme Kominsi, fala dos projetos desenvolvidos na cidade, defende a valorização cada vez maior dos estudantes e sentencia: prefeituras não têm desculpa para não investir em educação.
A que o senhor credita esta indicação da cidade no ranking da Unicef?
A uma gestão democrática, com diretores eleitos sem indicação. Também incentivamos muito a participação dos pais, inclusive na elaboração do projeto político-pedagógico. Há um planejamento em conjunto, investindo muito na formação continuada, por meio de parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em que os professores têm 80 horas de capacitação por ano. Além disso, fazemos avaliação própria com todas as séries para medir o aprendizado e cobrar resultados.
E os projetos voltados aos alunos?
Existem contraturnos sociais com aula de música, teatro, arte circense, informática e esportes. Este ano começou a funcionar a primeira escola em turno integral, com 150 alunos que têm atividades das 7h30 às 17h30. O resultado tem sido excelente. Outro projeto interessante é de incentivo à leitura, em que premiamos aqueles que se destacam. Ano passado, uma aluna de segunda série leu mais de 400 livros, para você ter uma idéia. Também firmamos parceria com uma ONG para trabalhar a parte de meio ambiente e agricultura orgânica, porque a população local é formada por muitos agricultores.
A grande diferença está no fato do aluno se sentir valorizado?
Sim, até porque o aluno precisa de uma escola bem estruturada. É mentira quando dizem que é possível oferecer boa educação até debaixo de uma árvore. Isso é conversa. A escola precisa ter estrutura. Todas as escolas do município foram reformadas, com novos equipamentos, alunos recebendo uniforme, melhora na qualidade da merenda com nutricionistas. Isso tudo faz com que o aluno se sinta valorizado e produza mais.
Essas ações foram feitas com recursos próprios?
Por lei, o município é obrigado a investir 25% da arrecadação em educação. Investimos 31% no ano passado, e quase todas as obras foram feitas com recurso próprio. A maior escola da cidade, que estava bem deteriorada, foi reformada por bloco. Cada ano um bloco, e este ano conseguimos deixá-la praticamente nova, como se fosse reconstruída. O único recurso externo veio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para construção de um refeitório.
Falta de apoio do governo então não é justificativa para deixar de investir...
Se os 25% forem aplicados corretamente, não tem desculpa. Com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), hoje qualquer município tem dinheiro para fazer melhorias na educação. Desde que não haja desvios. Por isso que a transparência dos atos e a fiscalização é de vital importância. Às vezes fazem de conta que investem em educação e este dinheiro vai para outro lugar.
O que fazer para manter a qualidade?
O próximo desafio é formar o Conselho Municipal de Educação, que existe em poucas cidades do País, e ajuda a traçar as ações de uma forma mais democrática, ouvindo vários setores da sociedade. As escolas devem se abrir mais. Quanto mais participação, melhor.

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