Basta de ladroeira, proclama o povo
Contrapondo o que declarou ontem o vereador Orlando Bonilha de que basta de denuncismo, o povo nas ruas diz que basta de ladroeira. Denunciado por concussão no pacote envolvendo os vereadores Henrique Barros (que renunciou ao cargo), Renato Araújo, Flávio Vedoato e Osvaldo Bergamin, ele proferiu essa conclamação pública ao ser acusado de outro caso, que teria ocorrido há quatro anos e que (no calor da denúncia recente contra esses membros da Câmara Municipal de Londrina) foi agora revelado pelo presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura, Nelson Brandão.
Pergunta-se por que cessar o denuncismo se as acusações de corrupção contra políticos e administradores públicos continuam! Talvez devessem, esses representantes do povo, mobilizar-se em campanha de moralidade, dentro de seu próprio meio, para assim fazer o denuncismo cair, por desuso. Porque não acorre investigação se não houver suspeitos, e quando acontece e porque existem indícios. No presente caso, o vereador renunciante confessou o delito e entregou os demais citados como participantes dessa prática. Quantos casos poderão ainda surgir depois que foi aberta essa vertente de denúncias? Se o denuncismo cessar, outros episódios do gênero (antigos, atuais e futuros, se houverem) não poderão ser investigados, e essa será uma posição cômoda para os praticantes de corrupção. O que os homens públicos corruptos desejam é justamente que ninguém os moleste, porque assim encontrarão o caminho aberto para agirem livremente, sem punição e podendo (nos casos de cargos eletivos) seguirem na busca de perpetuar-se no poder. Tem um tom de insolênca e provocação ao povo o que se ouviu do vereador. Que ele se defenda, pelas vias legais e inclusive publicamente, é de seu direito, mas não desejar calar os que têm denúncias a fazer.
No segundo caso citado, cumpre dizer que o presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina, e a entidade, são um nome e uma instituição idôneos. Pode-se afirmar que merecem fé pública, quanto à afirmação de que houve a denúncia de um industrial feito a essa associação, cabendo agora aos organismos pertinentes procederem às diligências e apurar o teor da acusação feita pelo empresário denunciante. Ao contrário do apelo do basta de denuncismo, deve-se conclamar a que haja ômais denuncismo, quando estribado em relatos consistentes. Se quem paga propina também é culpado, por anuência, será preciso não ceder em cumplicidade e imediatamente denunciar. Para isso existe o Ministério Público, que age - não se podendo afirmar que não leve as investigações adiante - e é uma instituição destinada a defender a sociedade.





