A disputa entre os partidos que compõem a base de sustentação ao governo e a antropofágica competição entre ministeriáveis e potenciais ocupantes de cargos na próxima gestão do presidente reeleito são extremamente danosas ao País. Mais do que nunca, a Nação precisa de ministros, diretores de instituições financeiras, empresas estatais e autarquias e detentores de cargos estratégicos no governo comprometidos com a solução dos problemas e não interessados em suas próprias causas.
Precisamos, no governo, de brasileiros, como todos os cidadãos deste País, preocupados com o desemprego, a desesperança dos pais de família, a situação de insolvência de numerosas empresas, com a necessidade de retomada do crescimento sustentado e com as reformas constitucionais. Postulantes a cargos que coloquem como prioridade os seus interesses pessoais, de grupos e partidos, que pautem sua vida pública pelo execrável fisiologismo, são ervas daninhas rejeitadas pela Nação - aqui entendida como o conjunto dos empresários, trabalhadores e toda a sociedade, que, mais uma vez, aceitou fazer sacrifícios, na forma de mais impostos (como prevê o último pacote econômico).
Reeleito de forma consagradora nas democráticas urnas de outubro, o presidente Fernando Henrique tem o legítimo poder, conferido pela opção soberana do voto de milhões de brasileiros, para extirpar de seu novo governo e das áreas de influência da administração, os políticos pequenos, os fisiologistas de plantão e os incompetentes, que somente vislumbram a possibilidade de perceber salários no exercício aético de altos cargos públicos. Aético porque comprometido com interesses comezinhos e não com as responsabilidades inerentes aos que se encontram no governo.
O presidente não precisa submeter a si próprio e à Nação à volúpia materialista dos que fazem do poder público o meio de uma vida fácil. A população brasileira demonstrou, nas últimas eleições, confiar em Fernando Henrique Cardoso. Até hoje, diga-se de passagem, ele foi altamente digno dessa confiança. Os recentes episódios não abalaram a sua credibilidade, mas são um alerta de que precisa agir - e rapidamente - para estancar um processo de competição por cargos que se apresenta como ameaça à própria eficiência do governo.
Não é hora para o presidente da República de um país com tantos problemas estar preocupado com as vicissitudes da mesquinhez humana, perniciosa característica que ainda se manifesta em determinadas criaturas, absolutamente anacrônicas no novo contexto da realidade mundial. O momento é de concluir os ajustes necessários ao enfrentamento do crash internacional, de - finalmente - terminar as reformas constitucionais e colocar o País num caminho irreversível rumo ao crescimento sustentado e ao pleno desenvolvimento. Para a conquista de todas essas metas, que representam um árduo desafio, o Brasil precisa de patriotismo e não de fisiologismo.
- MAX SCHRAPPE é presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) e do Conselho do Senai em São Paulo.
- Deixamos de publicar a coluna de Luiz Geraldo Mazza que está em férias.

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