Basta!
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de junho de 1997
Nelson Justus 
Paranaense! Não falo como atleticano que sou, falo como paranaense.
Quando o Coritiba disputou a final com o Bangu e levantou gloriosamente a taça do Campeonato Brasileiro, trazendo o título para a nossa terra, eu vibrei de entusiasmo. Isso porque, acima de tudo, foi um clube do Paraná o vitorioso. Hoje, porém, onze pseudo-juízes, inconsequentes e com interesses escusos, tratam o Paraná como um Estado de segunda categoria.
Ao penalizarem o Atlético, esses mercenários do futebol não perceberam que estavam penalizando um Estado que hoje é orgulho do Brasil. Os paranaenses têm orgulho do seu Estado, não apenas por simples bairrismo, mas pelo que ele representa para a sua gente e toda a Nação.
O Atlético Paranaense é um time glorioso, pois ao longo da sua história contou com o brilhantismo e a liderança de homens como Ney Braga, Jofre Cabral, Manoel Aranha, Joaquim Américo, Aníbal Khury, Lauro Regio Barros e Passerino Moura, entre outros.
Portanto, não podemos ficar calados diante desta vergonha que atinge o futebol brasileiro, exatamente em sua maior entidade, a CBF. Ora, se houve corrupção e ela partiu da CBF, não seria justo banir a CBF do futebol internacional, exigindo-se uma nova instituição?
As provas que nortearam o julgamento e a punição do Atlético são incompatíveis com a legalidade do nosso país. Se não aceitaram provas do vídeo da briga do Romário, por que hoje aceitam uma gravação telefônica que nada revela? Dois pesos e duas medidas? Ou o peso foi de interesses escusos e vergonhosos que alimentam onze homens que não souberam ter a dignidade de votar de acordo com a justiça?
Ricardo Teixeira deve ser considerado persona non grata por todos os paranaenses. É importante que esses aproveitadores do futebol saibam que o Paraná é um Estado respeitado por todo o país porque alcança o progresso através de seu trabalho honesto.
Futebol a gente ganha no campo e não nas salas nebulosas que abrigam os mais mesquinhos sentimentos e a mágoa de não ser o melhor. Ao se voltar contra o presidente do Atlético, cuja única falha talvez tenha sido a de não aceitar ser servil, este julgamento atingiu a todos os associados do clube e a milhões de torcedores paranaenses. O Paraná não é quintal do Rio de Janeiro e nem boteco de cariocas.
Basta! Isso tem que acabar! Essa ofensa à nossa gente não pode passar impune.
É preciso que a Justiça comum julgue os fatos. É para buscar a verdade que existem os juízes togados, que entregaram suas vidas ao estudo e à pesquisa. Não aceitamos ser julgados por um grupo que coloca seus interesses pessoais acima da legítima consciência e da verdade.
Conclamo os paranaenses e os brasileiros de boa intenção a combaterem a injustiça criada por este simulacro de tribunal montado pela CBF. E repito o apelo feito pelo imortal presidente do Atlético Jofre Cabral e que hoje, mais do que nunca, escoa em todo o Paraná: Não deixem o meu Atlético morrer.
- NELSON JUSTUS é atleticano, deputado estadual e secretário de Estado da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico.


