A briga contra o barulho registrado em bares londrinenses e seus arredores expõe um conflito de interesses: de um lado, o sossego de moradores; de outro, a diversão dos notívagos. Pai de quatro filhos, avô de quatro netos e vice-presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Londrina e Região (SindHotel), Alzir Bocchi, 62 anos, admite que se sente ''muito dividido''.

Nos últimos anos, o segmento tem sido alvo de várias ações que visam coibir a poluição sonora. A promotora de Meio Ambiente, Solange Vicentin, chegou a defender um limite de horário para o funcionamento de bares. Mas, em Londrina, a ''Lei Seca'' ainda não pegou.

Depois do projeto da ''Lei Seca'' e a briga contra o barulho provocado pelos bares, a categoria tem se sentido perseguida?
Perseguida, não. A Promotoria de Meio Ambiente tem muita razão em suas atitudes. Só que eu acho que ela está fazendo vistas grossas para as lojas de conveniência e postos de gasolina, que fazem ruído muito maior. Já nos bares que foram visitados pela promotoria, só tenho um senão quanto à medição dos decibéis. Deveria ser dentro do estabelecimento, e não no meio da rua.

Passou da porta o bar não é mais responsável, mesmo que seja sua clientela?
O bar tem de ser responsável pelas pessoas dentro do estabelecimento. Agora, quando o camarada sai cantando pneu, fazendo barulho e botando som alto, aí já é questão de polícia.

Só entre os filiados ao sindicato, são 914 bares e similares em Londrina. Não fica complicado ter polícia na porta de todos esses locais?
Mas o cidadão não merece? O camarada não tem direito de chegar em casa do trabalho e falar ''amanhã é domingo, vou tomar uma cerveja a mais'', ou de comer uma pizza até mais tarde? Acho que a polícia deveria dar um telefone ao londrinense, para o qual ele pudesse ligar quando achasse que está sendo importunado, e a central mandaria uma viatura.

Da porta para dentro, todos os bares estão regulares?
Não posso afirmar que todos estejam, porque há alguns estabelecimentos clandestinos, que não se adequam para funcionar de acordo com a legislação. Os associados estão, porque o sindicato tem o zelo de alertá-los. No nosso segmento, deve ter uns dois ou três que estão fazendo barulho acima do permitido.

Por que alguns bares persistem no problema?
Ocorre que, quando o empresário obtém o alvará de funcionamento, ele acha que não precisa fazer mais nada, porque tem a anuência da prefeitura. Isso fica meio ilusório para ele.

É a prefeitura que não está informando direito?
Eu acho. Há casos em que a prefeitura deveria ver ''in loco'' a área para onde vai o alvará, se é uma região muito habitada. Eles deveriam ser mais rigorosos.

Qual seria sua reação se fosse vizinho de um bar barulhento?
Eu ligaria para a polícia e diria ''olha, há uma poluição sonora aqui e não consigo ter tranquilidade. Por favor, tomem uma providência.''

E se o problema se repetisse, iria atrás da promotora?
Sincera e honestamente, eu iria. Porque acima de tudo sou pai de família, tenho filhos, netos e acho que todos temos direito a ter paz.

mockup