Barulho, estresse & câncer
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de junho de 2003
José Fiori (*) 
Teste seu estresse respondendo: o barulho causa câncer?
Para a resposta sim, é porque você ouviu bem esta pergunta. Seu decibelímetro pessoal não indica impacto audiométrico eletro-perfuro-cortante de incidência cancerígena nos seus labirintos. Ufa! Você pode não estar estressado.
Se a resposta for não, você pode ser daqueles que não acreditam na advertência do Ministério da Saúde de que fumar faz mal à saúde.
Se a resposta for não sei. Você está muito estressado. Corra. Vá medir o nível de estresse com um equipamento chamado Inventário de Sintomas de Stress de Marilda Lipi (ISSL).
Se fumar polui o ambiente, faz mal à saúde e pode causar câncer, com a poluição sonora não é diferente. É fumo grosso no ar contaminado, que deveria ser tratado com quiboa, como a Sanepar faz com a água encanada, providenciando esgoto para escoar os coliformes sonoros catabolisados na atmosfera.
Que os órgãos ambientais avisem ao povo do gueto que o estresse vai rolar na batucada estereofônica dos pagodes, heavy and rockin roll pauleiras, trios elétricos, pífaros pífios de espatifar tímpanos.
Problemas no estômago, alteração do sono, predisposição à depressão, doenças de pele, falta de concentração, impotência sexual (êpa!), neurose, psicose e propensão ao câncer são alguns dos efeitos da breguice barulhenta. Ou é chique suportar tanta porcaria dos bailões e lanchonetes, pelo camaradinha que sai de passatão e coloca no mais alto volume o Maluco Beleza, pensando que é o máximo, que abafa na vizinhança?
Itnot mole não aturar carros da propaganda política e seitas e ideologias, templos hipnotizantes de milagreiros exorcistas à céu aberto, disparos de alarmes a tocar, a tocar sem parar, cães de ganidos insuportáveis, rufar de tambores, digo, motores de trens esbagaçados , expressos e ligeirinhos poluindo as vias públicas que é do povo, como o ar é da inspiração.
Dr. Benedito Valdecir de Oliveira, oncologista do Hospital (filantrópico) Erasto Gaertner, está convencido da associação entre o estresse psicológico com os tumores da vida.
Não é incomum que o aparecimento de um tumor maligno seja precedido da perda de um filho, esposa (o), ou ainda de uma desilusão afetiva ou frustração profissional. Diz mais: muitos tipos de estresse ativam no corpo o sistema imunológico, isto é, o sistema que defende nosso corpo contra infecções e outros tipos de doença, incluindo o câncer.
José Fiori é jornalista em Curitiba


