Barreiras sanitárias
A exploração de caprinos leiteiros desenvolve-se em quase todos os municípios brasileiros, apresentando grande perspectiva econômica, decorrente da utilização da venda do leite, como opção para alimentação das populações, na fabricação de queijos e produtos lácteos.
O leite de cabra no Brasil é hoje uma realidade, entretanto, a baixa qualidade dele e seus derivados, compromete o produto final. A produção e o beneficiamento exigem cuidados higiênico-sanitários e de manejo, para reduzir, ao máximo, a contaminação microbiana e química.
O leite é extremamente susceptível à contaminação por microrganismos, portanto, propenso a causar prejuízos tanto à saúde do consumidor quanto ao processamento industrial. O leite e seus derivados quando não submetidos a temperaturas elevadas em seu processamento, representam mecanismos eficiente para disseminação de microrganismos.
As doenças transmissíveis de animal para animal e do animal para o homem (zoonoses) podem causar sérios danos, inclusive, financeiros aos produtores em virtude das barreiras sanitárias impostas à comercialização dos produtos. Essas barreiras, normatizadas em tratados comerciais, merecem crescente atenção dos diversos elos da cadeia produtiva do leite de cabra e derivados, o que pode afetar o trânsito e a exportação destes produtos. O ressurgimento da febre aftosa em bovinos na região Sul do Brasil é um exemplo eloquente dos prejuízos que uma barreira sanitária impõe aos produtores e por conseguinte a economia local e nacional.
Em caprinos, atualmente, em alguns Estados do Brasil não é permitida a comercialização desses pequenos ruminantes devido também à febre aftosa. As restrições, antes ligadas aos aspectos comerciais e alfandegárias, cederam lugar à criação de barreiras sanitárias, com foco nos agentes patogênicos, bem como nos hormônios e resíduos de pesticidas agrícolas.
Os produtores de leite de cabra e derivados no Brasil visualizando a abertura do mercado, a presença de concorrentes especializados e a exposição de produtos importados de melhor apresentação, como o leite de cabra em pó, buscam produzir atendendo aos padrões de qualidade.
Cada vez mais assume importância, os cuidados na disseminação de doenças através de alimentos como a salmonelose, a tuberculose, a brucelose, daí, a implantação de boas práticas de produção favorecendo o bem estar animal, de processamento (manipulação adequada) e da comercialização do leite de cabra e seus derivados serem fundamentais, para que não ocorra restrições aos produtos impostas pelas barreiras sanitárias.
A incorporação de conhecimentos e de tecnologias na prevenção e no controle de doenças na caprinocultura leiteira poderá não só incrementar a produtividade e a saúde do rebanho, mas assumir posição estratégica no processo de comercialização ao garantir a qualidade do leite e seus produtos e oferecer segurança ao consumidor.
FRANCISCO SELMO FERNANDES ALVES é pesquisador da Embrapa Caprinos





