Barreiras no meio do caminho
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de março de 2003
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba O índice de estudantes no Paraná que não conseguem concluir o ensino básico composto pelo ensino fundamental e médio é de 64%, ou seja, 4,3% superior a média nacional. Isso equivale a dizer que de cada 100 estudantes que ingressam no ensino fundamental no Paraná, apenas 36 conseguem concluir o ensino médio.
Considerando somente o ensino médio, a situação do Estado também é preocupante: 28,5% dos estudantes não conseguem concluir essa etapa de estudos, enquanto a média do Brasil é 2,5% menor, e fica portanto em 26%.
Os índices paranaenses só melhoram quando se trata da conclusão do ensino fundamental (até a 8 série). Enquanto no Brasil, de cada 100 alunos, 41 não conseguem concluir a escolarização, no Paraná esse número é de 39 estudantes.
Os paranaenses conseguem concluir essas etapas em tempo menor do que a média nacional. Para o ensino fundamental o tempo médio de conclusão no Estado é de 9,4 anos, enquanto a média nacional é de 10,2 anos. No ensino básico, a média paranaense é de 13,3 anos e a nacional é de 13,9 anos.
Os dados fazem parte da publicação ''Geografia da Educação Brasileira 2001'', divulgada pelo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep) do Ministério da Educação, Otaviano Helene, que está disponível na Internet (htt://www.inep.gov.br). O estudo condensa dados inéditos e antigos sobre educação básica e superior no País, traça o rendimento escolar dos alunos, a infra-estrutura das escolas, salário dos professores e investimentos públicos em educação.
''A situação nos três patamares é calamitosa'', avalia Helene, observando que em vários casos os índices melhoraram, porém de forma lenta e aquém das necessidades do País. Os atrasos na educação básica são, segundo o presidente do Inep, incompatíveis com a possibilidade de desenvolvimento econômico do País.
A persistir esse quadro, adverte, o Brasil terá dificuldade com a sua força de trabalho daqui a 10, 15 anos. Pelo levantamento do Inep, em 2000 existiam no País 16 milhões de analfabetos e 21,7% dos alunos matriculados no ensino fundamental estavam repetindo a mesma série cursada no ano anterior. Para o Inep, a repetência é uma das principais razões para a queda da auto-estima do aluno. ''A situação é incompatível com as possibilidades econômicas que o Brasil tem e já poderíamos ter um sistema educacional muito melhor do que o de hoje'', afirma Helene.
A expectativa de conclusão da Educação básica tem uma significativa diferença entre as regiões. Enquanto no Norte, dos estudantes que ingressam no ensino fundamental, apenas 27% terminam o nível médio, levando, em média, 15,1 anos para concluí-lo, no Sudeste esse índice é de 49%, e os alunos precisam de menos tempo: 12,7 anos. ''Essa desigualdade acaba por inviabilizar e criar dificuldades enormes para o País no futuro, pois a realidade escolar de hoje irá se repetir na força de trabalho nas próximas décadas'', diz Helene.
A cada ano, mais estudantes ingressam na lista dos que concorrem a uma vaga nas instituições públicas brasileiras de ensino superior. Em 1997, a relação de candidatos inscritos no vestibular por vagas oferecidas era de 7,4, passando para 9,3 em 2001. No Paraná, a disputa passou de 8,5 candidatos por vaga para 9,2.


