Em 2014, um grupo de integrantes do Fórum Desenvolve Londrina viajou a Barcelona com o objetivo de estudar práticas que pudessem ser aplicadas em Londrina. Durante essa viagem, tivemos a oportunidade de conhecer diversos pontos que precisávamos compreender melhor para sensibilizar as autoridades locais. Foram dias intensos de aprendizado, com reuniões e visitas técnicas, totalizando 15 eventos ao longo de uma semana. A experiência foi extremamente enriquecedora e, neste texto, quero compartilhar um aspecto específico que nos chamou bastante atenção: a limpeza e coleta de lixo em Barcelona.

A cidade foi dividida em quatro zonas, e, para cada uma, foi contratada uma empresa vencedora da licitação. Tivemos a oportunidade de visitar uma dessas empresas, responsável por uma área que atendia cerca de 350 mil habitantes. Fomos recebidos à tarde, quando quase toda a frota de veículos estava estacionada no pátio. A frota contava com 80 unidades, incluindo caminhões de coleta de lixo, lavagem de lixeiras, desobstrução de vias, lavagem de ruas e praças, desentupidor de bueiros, coleta de descartes, varredouras, além de duas unidades especializadas no combate à pichação. É sobre essa última que gostaria de focar minha reflexão.

A abordagem da cidade em relação à pichação é baseada na teoria das "janelas quebradas", que sustenta que um pequeno ato de vandalismo, como uma janela quebrada, pode levar a outros crimes ou desordens. No caso de Barcelona, qualquer pichação registrada na cidade era removida em até 24 horas, sem exceções.

Paralelo a esse trabalho existia uma legislação que obrigava o pichador, quando identificado, a trabalhar durante 30 dias limpando pichações. O objetivo era não apenas limpar a cidade, mas também evitar que o vandalismo se proliferasse. Como resultado dessa política, Barcelona se mantém uma cidade limpa, bem conservada e sem a presença constante de pichações, o que contribui diretamente para a sensação de segurança e ordem na cidade.

Além disso, a cidade também implementa um rigoroso sistema de manutenção das ruas e praças. Os caminhões de lavagens evitam que a sujeira de um ponto na rua se espalhe por toda a via. A varrição das ruas evita o entupimento dos bueiros, um fator crucial para prevenir inundações. São práticas que garantem uma cidade visualmente mais atraente, mas também têm um impacto positivo na qualidade de vida da população.

Em uma conversa com um funcionário da prefeitura de Londrina, ele nos informou que, na época da visita, a cidade contava com 17 caminhões dedicados exclusivamente a esse tipo de serviço. Embora essa quantidade ainda seja insuficiente para um atendimento eficaz e contínuo, o que se torna evidente é que a implementação de um serviço de limpeza urbano de grande escala exige um investimento considerável de recursos e uma organização bem estruturada.

Entendo que replicar um modelo como o de Barcelona exige ajustes de acordo com nossas condições locais, tanto financeiras quanto logísticas. No entanto, acredito que não devemos descartar essa possibilidade. Podemos iniciar a implementação de soluções de forma gradual, avançando passo a passo até que, com o tempo, alcancemos um nível de excelência semelhante ao de Barcelona. Esse processo pode ser feito de maneira incremental, sem a necessidade de um grande salto inicial. O essencial é ter a consciência de que, mesmo começando com pequenos passos, estamos avançando em direção a uma cidade mais limpa, organizada e agradável para todos. Devemos olhar para Barcelona como uma fonte de inspiração.

Ary Sudan, membro fundador do Fórum Desenvolve Londrina

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