As empresas brasileiras estão encerrando as atividades de 1998 com menos peso e consumindo menos calorias. A crise econômica internacional e a manutenção das altas taxas de juros internos obrigou o setor produtivo nacional a cortar excessos, apertar os cintos e fechar a boca.
Foram doze meses de dieta forçada. As medidas de controle da estabilidade monetária impostas ao mercado pela política econômica do governo federal trouxeram bons resultados, mas exigiram muitos sacrifícios. A saia foi justa demais para o modelo de crescimento econômico que o Brasil vinha experimentando desde o início do Plano Real.
Com isso, as empresas foram obrigadas a reduzir suas margens de lucro, os desperdícios estão sendo eliminados das linhas de produção, a indústria buscou qualidade para aumentar a competitividade dos seus produtos e o comércio está praticando novas práticas de vendas para elevar o faturamento.
Nesse processo de adaptação do modelo ao tamanho do manequim, o setor produtivo foi obrigado a alterar sua política de recursos humanos. Muitos trabalhadores foram dispensados, agravando ainda mais a crise social que o Brasil enfrenta há anos.
O mesmo acontece nas entidades de classe. O Sesi-PR, por exemplo, está reduzindo sua frota de veículos através de leilão. Na ACP, a ordem do presidente Jonel Chede é a de evitar qualquer gasto desnecessário.
E não somos apenas nós, empresários brasileiros, que estamos em regime forçado. O governo brasileiro também despertou para a necessidade de reduzir o déficit público. O presidente Fernando Henrique Cardoso adotou uma série de medidas administrativas para diminuir o custeio da máquina e tenta aprovar no Congresso Nacional as reformas estruturais básicas que resultaram em redução de custos e aumento de arrecadação para equilíbrio das contas públicas. Parte desse equilíbrio está sendo alcançado através das privatizações, muitas vezes questionadas e criticadas.
Esse quadro se repete no Paraná, onde o governo estadual está reduzindo custos, cortando os salários dos cargos comissionados, vendendo ações de empresas estatais e reestruturando o secretariado.
Todos parecem caminhar para a mesma direção, forçados pelas necessidades impostas pela realidade econômica mundial. Somente o Poder Legislativo parece estar na contramão desse processo de contenção de gastos e sacrifícios. O Poder Legislativo brasileiro, tanto o Congresso como as Assembléias Legislativas estaduais, continua remando contra a maré. Contrariando todas as tendências econômicas mundiais, que obrigam governos, empresas e contribuintes a apertar o cinto, o Legislativo brasileiro continua fazendo cortesia com o chapéu alheio e esbanjando dinheiro público.
É de conhecimento público que as Assembléias Legislativas estaduais desperdiçam um bilhão de reais por ano com salários inflados, carros de luxo, estruturas inchadas de assessoramento e muitas outras mordomias.
Agora, o Congresso Nacional e a maioria das Assembléias estaduais iniciam períodos de convocação extraordinária para votar todas as matérias importantes que foram ignoradas por nossos parlamentares nesse ano de eleições. Deputados e senadores ganham para legislar, mas gastaram muitos meses investindo apenas em suas próprias reeleições, deixando para segundo plano a votação de projetos importantes para a nação brasileira.
A convocação extraordinária de senadores e deputados federais e estaduais representa um ônus extra para os cofres públicos. Cada parlamentar tem direito a um salário a mais pela convocação e desconvocação.
Não obstante ao aperto generalizado e ao congelamento dos salários da maioria dos trabalhadores brasileiros, os nossos congressistas acabam de aprovar um reajuste de 59% (que por pressão popular pode cair para 35%, o que já é bastante para a conjuntura atual) em seus próprios salários com a elevação do teto salarial no serviço público.
Nesse momento de dificuldades financeiras em todo o mundo e de aperto econômico generalizado, o Poder Público deveria dar o exemplo e entrar na dieta. Infelizmente, vemos que nosso Legislativo não quer abrir mão dos banquetes de mesas fartas e desperdícios. Isso porque a conta desses banquetes é paga com o dinheiro do contribuinte, que em sua maioria luta com dificuldade para comer o pão nosso de cada dia.
A falta de limite nos gastos do Legislativo precisa acabar. O corporativismo presente no Congresso e nas Assembléias é danoso para toda a sociedade. O governo federal foi derrotado por esse corporativismo na votação de um dos pontos mais importantes da reforma da Previdência Social, que era o início da contribuição previdenciária por parte dos servidores públicos inativos. Nossos legisladores não tiveram visão pública.
O Poder Legislativo continua deitado em berço esplêndido, alheio à realidade econômica mundial, porque os deputados e senadores não são obrigados a colocar a mão no próprio bolso para manter suas verbas de representação, carros, assessores e outros gastos públicos. Afinal, é mais fácil colocar a mão no bolso do contribuinte e garantir a si próprio e aos seus pares banquetes e mordomias.
Isso é uma vergonha que deixa a todos nós, cidadãos e contribuintes, indignados. Todas as famílias, empresas e entidades de classe brasileiras estão apertando o cinto. Como que isolados da realidade, nossos legisladores continuam esbanjando o que o País não tem. Falta dinheiro para a saúde, mas sobram recursos para espelhos de água em volta do Congresso Nacional. Falta dinheiro para promover a reforma agrária, mas libera-se milhões de reais para socorrer bancos mal administrados. Falta dinheiro para a educação das crianças brasileiras, mas não se economiza palito para que nossos representantes possam transitar pelas ruas miseráveis do nosso Brasil em carros de luxo.
É essa a justiça social que os governos federal e estaduais pregam? Queremos saber se os sacrifícios impostos pelo poder público à população brasileira são para garantir a estabilidade monetária do País ou para continuar financiando banquetes e mordomias para poucos?
A responsabilidade pelo crescimento do nosso País é de todos. Nossos senadores, deputados federais e estaduais e vereadores são peças importantes nesse processo e precisam seguir na mesma direção. Nosso Legislativo precisa ser repensado. Nossos parlamentares devem fazer uma auto-avaliação e uma reflexão profunda sobre a importância que têm perante a Nação nesse momento de dificuldades. O País espera mais de seus representantes no Legislativo.

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