Banestado não é terra de ninguém
Banestado não é terra de ninguém
Cláudio Slaviero
Como empresário e cidadão paranaense consciente e preocupado com os destinos do meu Estado, tenho acompanhado com atenção e interesse o noticiário sobre a privatização do Banestado. É um tema que interessa a todos os paranaenses, porque o Banco do Estado do Paraná é um patrimônio de todos nós, construído ao longo de gerações e que tem um papel importante no desenvolvimento econômico e social de nosso Estado.
E é por considerar que o futuro do nosso banco público é extremamente importante que decidi manifestar minha preocupação pela maneira como a questão da privatização do Banestado vem sendo tratada pela classe política paranaense.
Os veículos de comunicação do Estado vêm divulgando as posições assumidas pelos deputados estaduais que, para votar o projeto de saneamento do Banestado na Assembléia Legislativa, estão exigindo a demissão de toda a diretoria do banco, especialmente do presidente Manoel Garcia Cid.
É uma posição insustentável e intolerável, que deve ser repudiada pelos homens públicos sérios do Paraná. O presidente do Banestado é um profissional competente, um empresário bem-sucedido, com um passado irretocável, que foi escolhido pelo governador Jaime Lerner para presidir o Banestado justamente por estas qualidades. Teve a coragem de dizer publicamente que há políticos que emprestaram dinheiro do banco e não honraram suas dívidas. E por ter dito a verdade, está sendo execrado publicamente, como se fosse um mau administrador.
Quem deve ao Banestado, seja político ou não, deve pagar. O dinheiro do Banestado é dinheiro do povo e não de políticos ou de grupos econômicos. A uso do banco para o atendimento de interesses políticos, como se os recursos e o patrimônio do conglomerado fossem de ninguém, é um dos principais argumentos a favor da privatização do Banestado.
A ingerência política em assuntos econômicos e financeiros tem sido extremamente perniciosa em nosso País. Um exemplo simples, que ainda está na memória de todos os empresários pelos efeitos devastadores que provocou, foi o manutenção forçada do Plano Cruzado no governo Sarney. O plano estava completamente esgotado mas foi mantido artificialmente para assegurar a eleição dos governadores e deputados que apoiavam o governo. A estratégia eleitoreira ajudou os políticos mas revelou-se catastrófica para a economia brasileira.
O Banestado não pode ser refém dos interesses dos políticos. Em outras oportunidades, o banco já enfrentou dificuldades, como no caso do braço paraguaio da instituição, o Banco Del Paraná. Nem por isso, o governo do Estado teve que recorrer a medidas extremas, como a substituição de toda a diretoria ou de sua presidência.
Defendo uma solução técnica para o Banestado. A privatização deve ser concretizada, garantindo-se o controle acionário por grupos paranaenses, que assumirão o compromisso de manter o perfil social do banco e o apoio aos pequenos e microempresários. O Paraná precisa de um banco paranaense, mas o Estado não precisa ter um banco.
A privatização é o melhor caminho para livrar o Banco do Estado do Paraná do jugo político, principalmente em ano eleitoral. Um simples saneamento financeiro será um paliativo, sem efeitos duradouros. Infelizmente, a cultura subdesenvolvida de que os recursos públicos estão à serviço dos detentores do poder e não à serviço do povo está muito arraigada em nossa sociedade. Por isso, qualquer remendo que for feito hoje corre o risco de ser desfeito amanhã.
Esperamos que os políticos conscientes do nosso Estado respeitem o dinheiro do povo e o profissionalismo que alguns executivos e empresários, entre eles o próprio governador Jaime Lerner, estão imprimindo na administração pública. Quem deve, tem que pagar. Quem não deve, não tem o que temer.
- CLÁUDIO SLAVIERO é empresário de Curitiba e vice-presidente da ACP.





