Vamos começar com três perguntas: como poderia o Banestado valer um terço do valor pago pelo Bandeirantes? Metade do Banco Boavista? Como explicar uma injeção acima de R$ 5 bilhões e uma avaliação doze vezes menor?
Já estamos questionando o preço da privatização do Banestado há mais de dois meses, embasados no potencial da estrutura do último banco de fomento verdadeiramente estadual, com agências localizadas estrategicamente nos pólos produtivos do Paraná e em várias regiões do País, sem esquecer as de caráter social, já que em muitas localidades do Estado são a única opção de atendimento bancário do cidadão.
De um lado está o custo mínimo para a privatização acima de R$ 430 milhões e, de outro, a injeção de verba do Proer acima de R$ 5 bilhões utilizada para sanear o banco.
A estrutura do Banestado vai além do atendimento na área comercial e rural. Existem as empresas coligadas e as cifras superiores a R$ 1 bilhão obtidas em captação de poupança. E, ainda, uma excelente estrutura na área de seguros através da Gralha Azul que desenvolve diversas vendas de produtos e de outros papéis, o que aumenta ainda mais a viabilidade do grupo. Sem contar os recursos humanos, funcionários de carreira dispostos a ajudar e a melhorar a condição financeira do banco já que, durante anos, foram treinados para viabilizar todo o sistema.
Vamos comparar os custos: o Banco Boavista foi recém-adquirido pelo Bradesco por valores que atingiram R$ 1 bilhão; e o Banco Bandeirantes, que adquiriu o Banorte anteriormente, foi comprado pela Caixa Geral de Depósitos de Portugal - negociação formalizada em data de hoje através da compra pelo Unibanco - com cifras beirando a casa de R$ 1,5 bilhão.
Os especialistas alegam que a localização da estrutura geográfica do Banestado não se compara à estrutura dos dois bancos nos principais estados brasileiros. E continua o Banestado com o valor de R$ 434 milhões para ser adquirido a um preço módico. No entanto, mais uma vez, nós, mortais contribuintes, ‘‘pagaremos o pato’’, já que se o banco for adquirido por um valor acima do preço mínimo, o comprador poderá abater o imposto de renda.
Estariam os grandes grupos interessados em avaliar corretamente o banco? Com certeza, pagar pelo banco e abater R$ 1 bilhão no imposto de renda, já garante um lucro antecipado.
O leilão está marcado para 17 de outubro. O do Banespa com data prevista para 20 de novembro e lance mínimo por volta de R$ 1,8 bilhão à vista, o que representa 30% do capital social do banco. Será mais um chamariz para o mercado internacional adquirir nossos dois maiores bancos estatais.
Daí o questionamento: levando-se em conta o valor do Banespa, o valor do Banestado significa o mesmo que um ‘‘balde de água fria’’. Isto porque todos nós sabemos da estrutura do Banespa e do mercado que disputa.
Não estamos levando em consideração o já arguido na imprensa com relação aos créditos de tributos acima de R$ 1,6 bilhão. Muito menos a discussão com relação as ações da Copel oferecidas anteriormente em garantia de operações.
O Banestado continua barato e o Banespa prestes a ser doado. É só compararmos com os preços da venda do Boavista e do Bandeirantes.
- PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista, ex-gerente de banco e assessor financeiro em Londrina