Banespa: a um passo do fim
A Grande São Paulo, junto com todo o Estado, detém, aproximadamente, 35% dos meios circulantes do Brasil e é responsável por mais de 50% da industrialização do País. O Banespa, por sua vez, possui a sua melhor estrutura dentro do Estado onde nasceu. A movimentação financeira proporcionada pelos municípios paulistas junto a instituição já a credencia a proporcionar altos lucros ao futuro comprador do banco.
De um lado está o Banespa com preço subavaliado abaixo de R$ 2 bilhões e tendo créditos tributários beirando a casa dos R$ 3 bilhões. O futuro comprador ainda poderá ficar cinco anos sem pagar o compulsório que hoje retira dos meios circulantes o percentual de 45%.
A retirada dos bancos internacionais na disputa da privatização pode ser explicada como uma estratégia de mercado já que estes bancos ainda não têm impostos a compensar e podem estar com medo das futuras retaliações que poderiam ser impostas pelo mercado, bem como, a responsabilidade passiva da compra, quer na área trabalhista ou operacional do banco.
Existem ainda comentários que estes mesmos bancos, que se retiraram da privatização, estariam sondando possíveis acordos pós-venda para se integrar na sociedade do Banespa. Por exemplo: o banco x nacional compra o Banespa ficando com o crédito tributário, bem como, com as vantagens do compulsório. O banco y internacional, pós-venda, integralizaria um capital junto ao banco x, objetivando ficar com uma fatia do bolo.
O exemplo do mercado é a recente composição da Caixa Geral de Depósitos, que adquiriu o Banco Bandeirantes, ficando um percentual posteriormente negociado junto ao Unibanco.
Como poderia um banco com a estrutura que tem valer aproximadamente R$ 2 bilhões oferecendo ao comprador um crédito tributário de R$ 3 bilhões de mão beijada? Como o Banco Bandeirantes poderia valer o mesmo que o Banespa? Isto porque as negociações junto ao Unibanco que adquiriu o Bandeirantes foram na ordem de R$ 1,2 bilhão a R$ 1,5 bilhão.
O Banco Central deve se preocupar com o comprador nacional já que a concessão a título de compulsório ao Banespa com cinco anos de isenção irá sobre maneira estimular os depósitos à vista no antigo banco estatal.
Para resumir em miúdos este procedimento: um depósito num banco nacional no qual o compulsório é de 45%, o custo operacional financeiro é diferente de um banco no qual o compulsório é zero, e o custo operacional é outro.
Somente como exemplo, qual agência bancária seria fechada: a do banco x que comprar o Banespa e já possuir agência na mesma praça com o custo de 45% no seu depósito ou a agência do Banespa com taxa zero?
Será que o banco comprador não orientará clientes potenciais a movimentarem a conta do Banespa visando, com isto, transferir parte dos lucros a estes clientes especiais?
Todas estas preocupações são para o pós-venda. O que importa agora é avaliar corretamente o maior banco estatal do Brasil, situado no maior Estado brasileiro. Como ficariam as empresas coligadas, de seguros, capitalizações, poupança, corretoras etc? Estariam indo de brinde? Mais uma vez afirmamos: o Banespa está a um passo do fim, e com um preço muito baixo.
- PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro em Londrina
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