Banditismo político
Em 22 de janeiro do ano passado foi assassinado o companheiro Miguel Siqueira Donha, presidente do Diretório do PPS em Almirante Tamandaré, na grande Curitiba. O noticiário imediato da imprensa dava a informação de que se tratava de assalto e, portanto, de latrocínio.
Nosso Partido não entendeu assim. Donha vinha desenvolvendo atividade política das mais positivas naquela cidade e se dava como certa sua candidatura à prefeitura, em oposição efetiva ao ocupante do cargo. E não nos enganamos. Preso, o assassino confessou que havia sido contratado para matar a troco de uma ninharia de dinheiro, mas, também, de um emprego na prefeitura local.
E, uma vez mais, um crime vem abalar o mundo político do Paraná. E um crime com requintes de hediondez. No dia 28 de fevereiro passado apenas um ano da execução de Miguel Donha pistoleiro contratado matou a tiros o vice-prefeito de Mariluz, o senhor Aires Domingues, e o presidente do diretório local do PPS, o companheiro Carlos Alberto Carvalho.
Agindo com louvável presteza, a Secretaria de Segurança Pública, por meio da Polícia Civil, prendeu o assassino, um ex-sargento da Polícia Militar, José Luíz Gomes. Preso, o ex-militar confessou o crime e afirmou que havia sido contratado pelo prefeito de Mariluz, o padre Adelino Gonçalves. E se derramou em detalhar o ocorrido, crime pelo qual deveria receber R$ 21 mil, um revólver, munição e um carro seminovo. A arma, a munição, o carro e um adiantamento de R$ 1 mil foram lhe foram entregues de pronto, ficando o restante a ser acertado depois do crime.
O fato de o mandante do crime ser um religioso já é profundamente constrangedor. E, além disso agravante. Por um motivo dos mais torpes já que o companheiro Carvalho estaria aprontando denúncias comprovadas de abuso sexual contra meninos em Mariluz, o que, impossível negar, faria praticamente insustentável a situação política do prefeito mandante do assassinato.
De entristecer, ainda, é saber que o crime encomendado seria a morte apenas do presidente do PPS e a morte do vice-prefeito decorreu de causa absolutamente fortuita: aquele político estava presente ao local do crime! O que nos causa indignação é ver que um Estado como o Paraná, sempre citado
entre os entes federativos de maior avanço social e econômico, de melhores soluções para os problemas do dia a dia de nossa gente, possa se ir transformando, como, de fato, o está, num verdadeiro faroeste, onde somente prevalece a lei do mais forte ou, pelo menos, do melhor armado e municiado. A CPI do narcotráfico mostrou, sem maiores rodeios, como o narcotráfico se foi infiltrando no tecido social de nosso Estado, constituindo-se em um Paraná ilícito dentro do Paraná legal. E isto sob as vistas pelo menos complacente das autoridades estaduais, que, incapazes, por falta de vontade política, de vencer aqueles criminosos preferem com eles conviver. E, como o exemplo vem de cima, cada administrador, cada homem que tenha, em suas mãos, um mínimo de poder, se sente à vontade para impedir que a voz livre do povo se manifeste nas ruas, calando-a, para sempre, a tiros de revólver.
Queremos prometer aos companheiros de luta, caídos em combate, que o Partido
Popular Socialista, o PPS, não apenas no Paraná, mas em todo o País, estará sempre ao lado de todas as forças democráticas que fazem da luta política um trabalho de incessante busca de solução para nossos problemas os mais sérios, como, por exemplo, o da violência oficial contra cidadãos indefesos.
Nossa luta será, assim, aquela que procurará impedir, e uma vez por todas,que o banditismo se confunda com a política, na forma como já está ocorrendo em nosso Paraná.
- RUBENS BUENO é deputado federal, presidente do PPS no Paraná e líder da bancada do PPS na Câmara dos Deputados





