Bancos precisam dar fim a esta greve
O sistema financeiro no universo dos negócios está tão atrelado aos bancos que, se estes cessam temporariamente a atividade, geram o caos. O presente impasse envolvendo a moeda aconteceu primeiro com a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, o que criou um pandemônio, e agora no Brasil é a greve dos bancários. Como as operações estão suspensas há 15 dias, o dinheiro deixou de circular e as empresas e cidadãos já estão sofrendo grande prejuízo. Junto da crise financeira global está criada também uma crise doméstica.
Os bancos têm suporte para atender à reivindicação salarial dos bancários 13% de aumento, o que corresponde a apenas 5% de ganho real, conforme a afirmação dos grevistas. Então, a culpa pelo que acontece é da classe patronal, que aufere lucros fantásticos e dispõe de reserva suficiente para conceder a melhoria de ganhos solicitada. A situação é delicada e reclama uma solução por parte dos bancos, porque a intransigência em ceder está comprometendo a estabilidade dos negócios e a paz dos cidadãos.
Ocorre um cessar de pagamentos e recebimentos, e revolta que os próprios bancos pressionem os que têm pendências (como estouro de contas) a regularizarem a situação. (Várias agências, até dias atrás, estavam atendendo pelos fundos, dando guarida a clientes especiais, mas agora o cerco dos controladores da greve fechou-se). Quando uma crise tem origem psicológica e é gerada pela especulação, é mais fácil encontrar solução em si mesma no caso a injeção de moeda no meio circulante mas não quando os caixas dos bancos são fechados e o dinheiro fica bloqueado. Líderes de associações classistas já estão solicitando a intervenção do Governo, porque a situação tem a ver com a segurança nacional que não é apenas aquela clássica dos riscos à soberania nacional ou da governabilidade. Os bancários fazem uma greve justa e os bancos precisam oferecer algo, até porque tiveram resultados positivos nos últimos anos declara o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Marcelo Cassa.
Se o setor bancário já especulador por natureza tem a torneira fechada, uma outra se abre porém muito voraz, que é a das factorings, que estão cobrando juros de 6% mês contra os 2,5% de empréstimos dos bancos a linhas especiais. Não é exagero dizer que a economia tornou-se refém da política dos bancos.





