Bancos lucram, demitem e compensam perdas
Os bancos têm lucros exorbitantes e mesmo assim demitem os funcionários mais antigos, para que a conta dos ganhos fique mais robustecida. A política de preservar empregos - que caracteriza uma função social - não faz sentido para esse setor, que no Brasil opera com grande liberdade para impor juros extorsivos e tarifas de serviços pagas pelo cliente, estas representando um terço da receita dos bancos. O propósito do presidente Lula de enviar uma Medida Provisória (MP) ao Congresso propondo a proibição das demissões sem justa causa, pelas empresas, deveria ter um único endereço: os bancos, porque estes auferem lucros extraordinários.
Além de tudo, dirigentes de corporações bancárias fazem certos pronunciamentos que mostram como eles não têm respeito à opinião pública e ainda tripudiam sobre a clientela, ao exaltar os formidáveis lucros. Como faz agora o presidente do HSBC no Brasil, Emilson Alonso, ao declarar que os ativos do banco foram multiplicados por três, nos últimos quatro anos, enquanto o lucro multiplicou-se quatro vezes no período. Mostrar esses números superlativos se afigura como um ufanismo, como a demonstrar competência gerencial, quando se sabe que bancos são, sim, bem gerenciados mas operando com juros assassinos e tarifas que sangram os clientes, sem complacência. E, obviamente, com apoio do Sistema oficial. Lucrar é inerente aos negócios, mas quando não extorquem o povo e não são prejudiciais à economia nacional.
Alonso declara ainda que os bancos perderão receita com as medidas para regulamentar as tarifas bancárias. Mas o setor não se molesta, porque segundo ele isso pode redundar em aumento de juros. Diminuição de receita, portanto, não haverá, porque resta o recurso arbitrário de subir juros em alguma linha. Ele ainda debocha: Não tem lanche de graça. (En passant, cita-se a mesma posição do ministro Guido Mantega, que ante a possibilidade de a CPMF não ser prorrogada, disse que outros ônus fiscais poderão ser criados e que atendimentos sociais básicos, incluindo os da saúde, seriam prejudicados).
No ano passado o HSBC lucrou R$ 946 milhões, e a previsão para 2007 é 20% superior. E mais um tom de deboche, conforme as palavras do presidente Emilson Alonso: O Natal este ano está uma delícia. É assim que vivem governos e bancos: em mar de delícias, neste país só aparentemente democrático, porém com acentuadas facetas ditatoriais, porque governantes e certas instituições fazem o que bem entendem e sem sanções.
Mas não é apenas o HSBC: os demais bancos também irão mostrar os balanços de fim-de-ano, com seus lucros fantásticos. E o Governo batalha para ver aprovada a renovação da CPMF - que retira das empresas e cidadãos comuns em torno de R$ 40 bilhões anuais - e assim continuar, na mesma alegria, a farra pública.





