O Conselho Nacional de Desestatização publicou resolução de que o participante do FGTS, que tenha saldo disponível pode participar da operação de venda de 17,5% do capital total do Banco do Brasil, a ser realizada pelo Governo Federal nos próximos dias. E começam as perguntas: É bom? É seguro? É melhor que Petrobrás e Vale do Rio Doce? O novo presidente influenciará no banco? Enfim, todas as perguntas normais que o investidor ávido por informações quer fazer.
Para facilitar a análise vale começar pela empresa. O Banco do Brasil vem empreendendo esforço muito grande, nos últimos três anos, para se aproximar dos maiores e mais rentáveis bancos privados, em termos de resultados, rentabilidade e fatias em novos mercados. Para isso contou com a vontade política do Governo Federal para retirar das contas do banco, os antigos financiamentos à agricultura e, consequentemente, os calotes, assim como outras contas que eram de responsabilidade do Tesouro e que por vários motivos estavam alocadas no Banco do Brasil. Depois de excluir estes ''esqueletos'', o que deveria ser feito, e foi, era um esforço para reequipar o banco e colocá-lo pronto para competir. Todos esses pontos foram recompensados nos últimos resultados semestrais, nos quais o BB já apresentou um significativo crescimento de lucro, rentabilidade e índices de eficiência para competir.
Assim, pode-se garantir hoje que o Banco do Brasil tem condições de competir e garantir ao acionista um retorno adequado ao mercado e ao momento econômico do país.
Segundo ponto importante a se esclarecer é se a aplicação é segura. Qualquer aplicação em ações pressupõe risco, mas o que se pode falar é que o risco de se aplicar em ações do BB é igual ao de investir em papéis dos demais bancos privados.
Terceiro ponto diz respeito à comparação com as outras duas operações realizadas utilizando-se recursos do FGTS. Impossível comparar. Uma empresa é do setor de mineração e a outra é do setor petrolífero, e isto impede qualquer tipo de paralelo. Enquanto expectativa de valorização, o momento do mercado pode favorecer o Banco do Brasil, porque os preços estão depreciados demais.
Quarto ponto e muito importante é a influência do novo presidente na colocação e valorização da ação. Há de se ressaltar que esta colocação de ações foi precedida por uma série de atitudes e determinações do Conselho de Administração do BB, para passar a ser definida como empresa pertencente ao Novo Mercado na Bovespa e isto diminui a ingerência do acionista majoritário na gestão do banco, aumenta a transparência das atitudes do banco e a responsabilidade da administração em relação à empresa e aos acionistas. Dessa forma, pode-se prever que ingerência que possa determinar menor rentabilidade aos papéis da instituição ou a volta ao passado, de colocar ''nas costas'' do banco uma série de financiamentos ''sociais'', está afastada. No entanto ainda há, é claro, o risco de uma administração menos voltada para o lucro pelo lucro, e mais para outras ações determinadas por um governo de linha ideológica diferente do atual. Ainda dentro desse contexto é muito importante ressaltar que as participações que o governo federal detém, direta ou indiretamente, através do BNDES, representam uma excelente opção de captação de recursos e pode-se garantir que qualquer que seja o governo eleito haverá a necessidade de tais recursos. Importante ressaltar que não haverá perda do controle acionário, não caracterizando privatização, palavra que não pode ser pronunciada por nenhum candidato.
E finalmente, qual o preço que se pode esperar para a ação do BB? Com uma projeção conservadora a previsão é de que o preço alvo para setembro de 2003 - portanto daqui a um ano - é de R$ 14,00 por lote de mil ações. Este número tem como premissas básicas um crescimento econômico de 2,5%, um dólar médio de R$ 3,05 e juros médios de 17%a.a. nos próximos 12 meses.
É um investimento com o risco normal do mercado de ações e com boa qualidade, mesmo porque a rentabilidade oferecida pelo FGTS não é difícil de ser alcançada.
MAURO GIORGI é analista independente em São Paulo

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