Bancada da barganha pode impedir CSS
Como não vê perspectiva de recompensa em troca do voto favorável, a bancada da barganha na Câmara Federal pode dificultar a votação de hoje para criação da Contribuição Social para a Saúde, a CCS, que viria para compensar metade da perda anual com a extinção da CPMF. Essa barganha é representada pelo atendimento a pedidos dos deputados para as suas bases eleitorais, ainda mais neste ano de eleição para prefeitos e vereadores. É sabido que os parlamentares são escassos de espírito público e costumam agir mediante recompensas, que podem ser daquela forma (atendendo às suas comunidades) ou por meio de propinas pessoais de tipo mensalão.
Porque o governo do presidente Lula só disfarça ao dizer que o desejo de aprovar a CSS não é dele mas dos parlamentos, para assim poupar-se de desgaste em véspera eleitoral e do encargo de atender a barganhas. Também esse dito não-atendimento pode ser outra farsa, porque o Planalto utiliza muito a infalível ferramenta da moeda de troca. Paralelamente, um salutar movimento oriundo do seio da população está ocorrendo, por via da Confederação Nacional do Comércio Varejista. A entidade espalhou outdoors em entroncamentos rodoviários de todo o País contra a aprovação do novo imposto, e promete colocar neles os nomes dos parlamentares que o aprovarem. E se há algo que atormenta os políticos é a possibilidade de perder votos em consequência de seus atos impopulares. A Confederação reúne 800 mil empresas e já no ano passado se mobilizara contra a manutenção da CPMF. A população precisa saber como se vota no Congresso - declara o presidente dessa associação, Roque Pelizzaro - e nada melhor do que execrar os nomes dos que operam contra o povo. Não apenas isto, porque representantes das Câmaras de Dirigentes Lojistas estarão em Brasília hoje fazendo pressão no Congresso.
E, nesse clima, vinte deputados já estão tratando de propor a volta à legalidade dos bingos, com o argumento de destinar os respectivos impostos para a saúde pública. Obviamente que estão atendendo a lobbies do setor - porque, como diz a linguagem popular - político não dá ponto sem nó e sempre visa alguma coisa pessoal antes do interesse público. Também não se afasta a possibilidade de que o governo esteja por trás dessa nova frente, porque esse tipo de jogatina renderia em torno de R$ 5 bilhões anuais em tributos - metade do previsto com a CSS. Contrários a mais impostos, os partidos da oposição sustentam o que se sabe: o governo já tem caixa suficiente para aumentar os repasses para a saúde.





