Já no ano passado usamos este espaço para analisar – e, de alguma forma, condenar – o modo pouco convincente como foi vendido o Bamerindus, uma potência econômica no Estado do Paraná e um dos maiores bancos privados do País. Achávamos e continuamos a achar estranho que o Banco Central tivesse gasto alguns bilhões de reais para sanear as finanças daquele banco e o vendesse a preço tão irrisório como o fez.
Mais ainda: tínhamos informações de que dezenas de imóveis dados em garantia de muitas operações estavam, de fato, superavaliados, razão por que, feita a reavaliação, se pode dar como certo um prejuízo, nesse particular, de cerca de R$ 11 bilhões.
Isto nos obrigou, ainda, a encaminhar ao ministro da Fazenda um requerimento de informações, para que se pudesse ter alguma clareza sobre aquela operação de saneamento e de venda do banco paranaense. A esse requerimento nos respondeu o ministro Pedro Malan com um aviso datado de 21 de dezembro do ano passado.
Na resposta encontramos indícios de que irregularidades seguramente ocorreram. Segundo lemos ali, ‘‘não foi instaurada Comissão de Sindicância destinada a apurar possíveis irregularidades cometidas pela equipe que procedia à liquidação dos bens do Banco Bamerindus’’. E isto já é um tanto estranhável.
Pela imprensa – somente para dar um exemplo – tomamos conhecimento de que uma revendedora de automóveis, em Cuiabá (MT), devedora de cerca de R$ 795 mil àquele banco, ofereceu o como garantia um imóvel de mesmo valor. Sucede que, feita a reavaliação os liquidantes encontraram que referido imóvel tinha valor venal de apenas R$ 22 mil. E, mais ainda: de 44 outros imóveis dados em garantia, já se sabe que 39 deles foram mais que superavaliados, com o que se estima um prejuízo de cerca de R$ 16 milhões para as contas do banco e, em consequência disso, para seus acionistas.
Esses acionistas são mais de 50 mil em todo o Brasil, sendo que mais de 40 mil deles residem no Paraná e precisam, mais que nunca, saber o destino das ações, da valorização dessas ações em que empregaram suas reservas, seus ganhos, suas poupanças.
E o Banco Central, que pôde gastar mais de R$ 38 bilhões para salvar o sistema financeiro de uma debacle, conforme justificativas dadas à época, informa não ter recursos para pagar o que se deve aos senhores acionistas da empresa. É um deboche!
Mas ainda temos esperança. De fato, o diretor do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas, tratando de apresentar dados em resposta ao nosso requerimento de informações, diz que o ‘‘processo de Inspeção, que se encontram em fase final de relato, devendo o mesmo ser submetido à apreciação da área jurídica’’ daquele banco oficial, ‘‘para avaliar a necessidade de se instaurar medidas administrativas ou judiciais eventualmente não abrangidas no exame do assunto’’.
Pelas palavras do diretor somos informados, ainda, de que, concluído o relatório, será o mesmo encaminhado ao nosso gabinete parlamentar, o que estimaríamos fosse feito com a devida urgência, porque, como diz a voz do povo, onde há fumaça há fogo, e, da leitura do documento aqui referido dá para sentir com intensidade largo cheiro de fumaça.
- RUBENS BUENO é deputado federal e presidente do PPS-PR
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