BALCÃO DE NEGÓCIOS? Este é o ministério mais fraco da história
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de março de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
O senador e vice-presidente do Senado Federal, Álvaro Dias (PSDB/PR), tem sido manchete, nos últimos meses, pela atuação e proposição de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI). Na ordem da vez, as loterias e os bingos têm tomado a roda de assuntos. Em entrevista à FOLHA, Álvaro, além das CPIs, fala sobre Requião, composição dos ministérios, e dá nota quatro à gestão Lula.
Na última semana, o senhor leu o requerimento referente à CPI das ONGs. O que ela vai investigar?
Essa CPI nasceu em função de inúmeras denúncias sobre a aplicação dos recursos, inclusive externos e também públicos, por meio das Organizações Não Governamentais (ONG) e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Há denúncia de utilização dessas organizações, inclusive para lavagem de dinheiro e evasão de divisas. São denúncias da maior gravidade, que justificam a instalação da CPI, e é por isso que o requerimento obteve 77 assinaturas dos 81 senadores.
Comentários de bastidores dão conta que o senhor estaria se reaproximando do governador Roberto Requião. Isso é verdade?
Causa-me espanto essa afirmação. O concreto é que há mais de quatro anos não conversava com o governador. Encontramo-nos ocasionalmente numa solenidade, na mesa de honra, ladeados pelo ministro Paulo Bernardo, pelo empresário Everton Muffato e por um representante do Beto Richa. Veja que era um momento adequado para fazer acordo político (risos). No Paraná, os fatos acabam desmentindo as versões. É só dar tempo ao tempo. Não houve absolutamente nada nesse encontro a não ser civilidade, pois a política pode ser uma atividade civilizada. Adversários podem eventualmente conversar, no mundo todo é assim.
Se pudesse dar uma nota para o governo Lula, qual seria?
Nota 4, para ser generoso. Estamos vivendo um cenário internacional extremamente favorável, com desenvolvimento da economia mundial. Lamentavelmente, o Brasil está desperdiçando oportunidades que não voltam, com um governo que não dá a mínima importância à questão ética, que convive passivamente com a corrupção e não aprendeu a lição dos quatro anos.
E a composição dos ministérios para o segundo mandato de Lula, o que o senhor está achando?
Talvez seja, a meu ver, o Ministério mais fraco da nossa história, o mais agigantado de todos, escolhido em cima do balcão de negócios. Todos nós sabemos que o ato mais importante da gestão é o da composição dos quadros. Quando o governante escolhe bem, tem chances de governar bem, quando escolhe mal, não tem a mínima chance, e acaba consagrando a incompetência.
Sobre as denúncias que o senhor fez a respeito das loterias. O que foi feito a respeito?
Relativo às investigações, conversei com o delegado Zampronha, que é o responsável pelo setor da Polícia Federal. Ele me afirmou ter repassado às delegacias da Polícia Federal das regiões onde ocorreram as premiações e está aguardando as informações, que transferirá a nós. Também falei com o Presidente do Tribunal de Contas, que afirmou já ter recebido o requerimento aprovado pelo Senado e determinou as providências para a auditoria que será realizada pelo Tribunal de Contas da União. E o projeto que apresentei, que impõe rigor em relação ao pagamento dos prêmios, já está também na Comissão de Constituição e Justiça, aguardando designação do relator. Esse projeto vai instituir algumas normas rigorosas, que obrigarão a Caixa Econômica Federal a adotar uma ação mais dura contra o crime organizado da lavagem de dinheiro.


