Balanços e projeções para 98
Balanços e projeções para 98
Três grandes acontecimentos já estão pautados para o ano que vem: as eleições, a Copa do Mundo e o fruto da colheita dos mais de US$ 14 bilhões semeados por conta dos investimentos privados no Paraná.
Não sou propagador de catástrofes e da negação do devir. Nossa convicção é a de que o momento crucial por que passa a economia brasileira será uma rotina no aprimoramento do insistente começar. As crises provisórias que se impõem e obstruem a esperança são, em nossa maneira de entender, pré-condições do amadurecimento e solidificação de democracia, do Plano Real e seu envolvimento no mercado globalizado.
Da cega paciência das horas, aos meses do ano que morre para 98 nascer, fazemos balanços, avaliações e prospectamos o dia virá.
Em nosso balanço anual, apresentamos um superávit de projetos e parcerias, de conquistas crescentes e entusiasmo gerados com a instalação do pólo automobilístico, um investimento estimado em US$ 4 bilhões e a oferta de 20 mil vagas no mercado de trabalho, A colheita dos investimentos se antecipa num efeito multiplicador, a considerar os novos empreendimentos e negócios que orbitarão as fábricas de veículos.
Em parcerias com o governo do Estado, Cefet e Sine, o Sistema Fiep colocou em funcionamento o Centro Automotivo, que vai qualificar 2.100 profissionais, até o final de 98, para trabalhar nas indústrias automotivas. Já em março, 800 desses trabalhadores serão colocados no mercado.
Indicadores da indústria dão conta de um crescimento de apenas 1% na produção em 98 contra um aumento de 4,5% este ano. É necessário reforçar o pleito para que o governo federal priorize a reforma tributária, pois é inadmissível para uma economia estável que os tributos tenham uma participação de 31% no PIB, onerando a produção e atenuando a competitividade.
Na área de comércio exterior, há uma expectativa de aumento das exportações, que passarão de US$ 53 bilhões para US$ 60 bilhões, com o impacto positivo na balança comercial, cujo saldo (ainda negativo) de US$ 9 bilhões cairá para US$ 5 bilhões.
Há que contabilizar na avaliação de 97 alguns avanços na transformação social. A inflação acumulada no ano registra 5,92%, enquanto a cesta básica fechou novembro com 8,07%, segundo números do Dieese. Os índices, mesmos considerados elevados para uma economia estável, não causaram impactos significativos nos preços dos produtos essenciais como os de alimentos, e também os gêneros de vestuário, eletrodomésticos e veículos, que mantiveram seus valores em patamares condizentes com o poder aquisitivo. O mesmo já não ocorreu com as tarifas públicas (energia, água e telefonia), que foram reajustadas.
Nos primeiros dez meses de 1997, as vendas industriais acumularam um desempenho positivo de 0,84% em comparação com igual período em 1996. Indicadores de nosso Departamento Econômico confirmam que a indústria está operando com um faturamento real 64,62% superior à média praticada no ano de 1992. Os gêneros com melhor desempenho de comercialização em 97 foram: material elétrico e de comunicações (67,91%); vestuário, calçados e artefatos de tecidos (40,94%); metalurgia (24,03%); material de transportes (17,61%); mecânica (13,32%); materiais plásticos (11,40%); mobiliário (9,39%); bebidas (8,49%); minerais não metálicos (6,89%); papel e papelão (4,60%); madeira (4,06%); editorial e gráfica (3,00%); couros, peles e produtos similares (1,87%).
As consequências desastrosas oriundas da crise global das bolsas de valores e o remédio amargo receitados pelo governo visando garantir a perenidade do Real certamente imporão um ritmo mais lento no desempenho industrial nos primeiros meses do ano. Haverá desaquecimento, recessão e dificuldades que se nos apresentarão como insuperáveis. Se no primeiro semestre as estimativas prospectam momentos mais críticos, a partir de julho o clima melhora com a redução progressiva dos juros e maturação dos projetos que começaram a ser instalados por conta dos investimentos estrangeiros e a implementação dos programas de privatização das estatais.
Criamos conselhos temáticos, ao todo 14, para analisar assuntos estratégicos, de interesse econômico específico. Na busca soluções, os conselhos discutiram e propuseram soluções para questões relevantes para o desenvolvimento não só da indústria, mas de todo o Estado.
Estabelecemos parcerias entre empresários e governos, internacionalizamos a empresa paranaense, firmamos convênios com diversos países com entidades similares ao Sistema Fiep, sempre buscando a cooperação, a defesa e a projeção dos negócios paranaenses. Promovemos e bancamos cursos treinamentos, programas de qualidade, sem nos descuidar da saúde e lazer dos industriais e trabalhadores da indústria.
É com esta visão otimista e sem nos afastar do Estado de Direito Democrático, porque logo mais teremos eleições, que o Sistema Fiep se posiciona. Na soma dos esforços, um novo dia vai chegar para clarear dúvidas e destruir todas as incertezas. Caminhamos para o amanhã convictos de que vamos resistir e vencer na competição global.
- JOSÉ CARLOS GOMES DE CARVALHO é presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná.





