Balanço socioeconômico de 2025
A inflação medida pelo IPCA encerrou 2025 em 4,26%, dentro do intervalo da meta
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de março de 2026
A inflação medida pelo IPCA encerrou 2025 em 4,26%, dentro do intervalo da meta
Luís Miguel Luzio dos Santos 
Saiu neste mês de março o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2025, que registrou um crescimento de 2,3%, mantendo a trajetória de expansão econômica, embora em ritmo menor que os 3,4% registrados em 2024. O crescimento acumulado do atual governo é de 9,2%, com média anual próxima de 3%.
A inflação medida pelo IPCA encerrou 2025 em 4,26%, dentro do intervalo da meta. Trata-se de um resultado relevante, já que, nos últimos cinco anos, foi apenas a segunda vez que isso ocorreu. No entanto, esse controle foi alcançado com um remédio amargo: taxas de juros em torno de 15% ao ano. Embora eficaz no combate à inflação, esse patamar de juros produz efeitos colaterais, principalmente sobre o consumo, o investimento e o aumento da dívida pública.
O mercado de trabalho apresentou resultados expressivos. A taxa de desemprego caiu para 5,4% da força de trabalho, um dos níveis mais baixos da série histórica brasileira. Houve aumento do emprego formal, redução da informalidade e ganho real da renda do trabalho, que atingiu cerca de R$ 3.652 em valores reais.
O investimento, entretanto, permanece um dos principais gargalos para o crescimento de longo prazo. A formação bruta de capital fixo situou-se em torno de 17% do PIB, patamar inferior ao observado em 2010, quando atingiu aproximadamente 21%. Níveis relativamente baixos de investimento limitam a capacidade de expansão sustentada da economia e o avanço da produtividade.
No plano fiscal, persistem tensões entre uma política monetária restritiva e uma política fiscal mais expansionista. O déficit público de 2025 supera o limite de 0,25% do PIB, o que impacta o equilíbrio das contas públicas e exige atenção. Como aspecto positivo, foi aprovada a reforma tributária, que tende a simplificar o sistema e aumentar sua eficiência, além da adoção de medidas voltadas à maior progressividade tributária, como a isenção do imposto de renda para rendas de até R$ 5 mil mensais e a proposta de tributação mínima de 10% para rendas superiores a R$ 600 mil anuais.
No setor externo, as exportações desempenharam papel importante para sustentar a atividade econômica. As vendas ao exterior cresceram 6,2%, a despeito do “tarifaço” promovido pelo governo Trump. A balança comercial permaneceu superavitária, com exportações em torno de US$ 339 bilhões e importações de aproximadamente US$ 276 bilhões, gerando um saldo positivo próximo de US$ 63 bilhões.
No campo social, os indicadores mostram avanços significativos. A proporção de brasileiros em situação de pobreza caiu de 27,3% para 23,1% da população, enquanto a extrema pobreza recuou de 4,4% para 3,5%, atingindo os menores níveis desde o início da série histórica em 2012. Aproximadamente 17,5 milhões de brasileiros saíram da pobreza entre 2022 e 2024.
O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade, caiu de 0,517 para 0,504, o menor valor da série histórica iniciada em 1995. No entanto, a diferença entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres no Brasil chega a cerca de 30 vezes, colocando o país entre os 10 mais desiguais do mundo. Em países europeus como Dinamarca e Portugal, a relação é de cerca de cinco e oito vezes, respectivamente.
A combinação de crescimento moderado, inflação controlada, desemprego baixo e redução da pobreza constitui um conjunto relevante de conquistas. Contudo, juros elevados, baixo investimento, desafios fiscais e elevada concentração de renda continuam sendo obstáculos importantes para um ciclo mais robusto e sustentável de desenvolvimento.
No entanto, é importante reforçar que nenhum avanço pode ser considerado legítimo se não se traduzir em melhorias concretas nas condições de vida dos mais vulneráveis, pois é a partir da situação deles que se mede, em última instância, o grau de civilização de uma sociedade.
Luís Miguel Luzio dos Santos, professor de socioeconomia e ética da Universidade Estadual de Londrina


