Balanço final: insuperável País
Luiz Carlos Hauly
Quando o Brasil foi acordado com a nova política cambial, resultado de uma insistente ação dos predadores de capital volátil, no início do ano, fomos bombardeados pelo catastrofismo que acompanha nossa formação como Nação. Felizmente vencemos os que só admitem a catástrofe como ponto de partida para análises demasiadamente simplistas. Um país que consegue suplantar o mais pessimista dos ‘‘analistas’’ de plantão, com seus discursos de queda de 5% na economia nacional, e é capaz de ter um crescimento anual entre 0,5 e 0,8%, transforma-se em desafio à inteligência dos ‘‘brazilianistas’’ que tentam entender a dimensão de um País como o Brasil.
Fui o responsável, no primeiro semestre de 1999, pela liderança do governo Fernando Henrique Cardoso no Congresso Nacional, que iniciava seu segundo mandato conquistado pelo voto popular em 1998. Participei de reuniões ministeriais no momento mais crítico e dramático da crise cambial artificialmente criada nos balcões das corretoras e empresas avaliadoras de riscos para investimentos estrangeiros. Os coordenadores do capital on-line tentavam minar as resistências de um governo que demandava pela solidez da economia brasileira.
Senti a opressão da mídia que buscava a todo momento um culpado para a crise. Sabíamos da responsabilidade em dirigir o país por um campo minado e que conta com aliados ‘‘desinteressados’’ dentro de nossas fronteiras. Percebi que era momento de termos homens e mulheres responsáveis pela condução do governo e, mais que isso, com fé inquebrantável em nosso futuro como Nação desenvolvida e pujante.
Uma das lições foi perceber quão poucos torcem para mantermos um pé atolado na mesmice do terceiro-mundismo tacanho e ultrapassado. Serão aqueles que não conseguem explicar o mundo globalizado a partir da vista de seu quintal diminuto?
O governo foi ao fundo do poço em popularidade a partir da mudança cambial, pois perdeu a confiança do eleitorado que aprovou o Plano Real em sua totalidade. A recuperação da credibilidade da economia era fundamental para bloquear a ação desenfreada dos especuladores e dos que gostariam da volta da inflação como escada para seus ganhos desmesurados.
A ação positiva de um presidente talhado para o cargo, respeitado internacionalmente em sua postura como homem público e como formulador da nova política entre as nações, intitulada Terceira Via, demonstrou que antes de termos a aferição da popularidade como bússola de programas governamentais é necessário olharmos para nosso futuro grandioso e nossa responsabilidade como elite dirigente.
Chegamos ao final do ano com um saldo positivo, pois enfrentamos a tempestade cambial e conseguimos reverter a tendência pessimista que exercia forte influência na auto-estima por longo período.
Longe de perfilar números frios de uma economia fenomenal, responsável pela máxima que a ‘‘crise fica longe, muito longe do Brasil’’, posso testemunhar no exercício do cargo de deputado federal, a grandiosidade de um País em formação, fruto de gerações que há 500 anos constroem uma sociedade moderna. Neste mês de janeiro retomo as funções no Congresso Nacional e espero contribuir para o País que reencontra seu caminho quando começa a discutir o novo milênio de realizações. Sou entusiasta de um novo tempo, novos desafios.
Mas antes de tudo devemos acertar nosso balanço social e acrescentar às nossas realizações a erradicação do analfabetismo e uma melhor qualidade de vida ao nosso povo. Que 2000 seja início de uma nova era. Novos tempos no insuperável país, Brasil.
- LUIZ CARLOS HAULY é deputado pelo PSDB-PR