Os altos e baixos da produção industrial, somados a um cenário de crise econômica mundial, impactaram diretamente no resultado da balança comercial brasileira. No mês passado foi registrado o pior deficit mensal da série histórica iniciada em 1994. O saldo a favor das importações foi de US$ 4,057 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Analisando os números da balança, verifica-se o quanto o Brasil perdeu espaço no comércio exterior. Foi registrada queda de 2,6% nas vendas de manufaturados e de 5,8% nas de semimanufaturados, enquanto o comércio de insumos básicos subiu 5,3%. Contou a favor o aumento da venda de petróleo bruto (134%), farelo de soja (49%) e bovinos vivos (36%), todas commodities. Entre as importações, foram destaque o vestuário, móveis, equipamentos móveis de transporte e máquinas e aparelhos de uso doméstico.
Essa movimentação comercial alerta para o enfraquecimento da indústria nacional. O nível de produção ainda não chegou ao total de 2008, antes de estourar a crise econômica. Os últimos três anos (2011, 2012 e 2013) foram de resultados fracos, segundo medição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. As dificuldades enfrentadas são inúmeras, mas um dos principais fatores é a falta de competitividade dos produtos nacionais. O custo de produção (tributário, trabalhista e previdenciário) é alto e não há perspectiva, no curto prazo, de mudanças nesse cenário.
No entanto, é importante que sejam adotadas novas medidas a fim de fortalecer a indústria nacional. Esse setor tem grande influência na manutenção dos empregos e na massa salarial. Exige uma mão de obra mais qualificada, mas também paga salários maiores. O desestímulo à produção industrial, por meio do "custo Brasil" e dos entraves burocráticos, aliado a uma inflação mascarada só trará prejuízos ao País.

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