Balança comercial do Paraná mostra vazamento de renda
O Paraná começou em 2006 a entrar em declínio da balança comercial e rumo ao deficit, que apareceu em 2011 e deve ser repetido neste ano, principalmente pela dependência da economia local dos setores de agronegócio e automotivo. Por um lado, os produtos básicos e agroindustriais mantiveram as receitas das exportações paranaenses. Na pauta de importações, o incentivo ao consumo de automóveis por meio da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) segurou o aquecimento da economia, mas revelou um vazamento de renda, por não ser fruto do aumento da produção local, segundo análise da professora de economia Fátima Campos.
A economista, que acompanha a evolução da balança comercial do Estado, afirma que os incentivos ao setor automotivo foram benéficos à economia nacional, mas não ao salário do trabalhador brasileiro. Ela diz que outras nações se beneficiaram com o aumento do consumo de automóveis no Brasil. ''Há um vazamento de renda para o exterior pela importação de peças. Esses empregos são gerados lá fora'', diz a professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Isso porque a estabilização e a valorização da moeda diminuíram a competitividade dos produtos manufaturados nacionais no mercado internacional, o que reduziu as exportações de artigos industrializados e aumentou as dos básicos. Dos dez principais itens na pauta de importação entre janeiro e agosto deste ano, Fátima diz que seis são de peças e veículos, dois do setor de petróleo e dois de insumos agrícolas. Dos artigos exportados, oito pertencem ao agronegócio, um ao petrolífero e um ao automotivo. ''Qualquer flutuação nesses dois setores impacta demais na balança comercial paranaense'', afirma, com base nos números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Fátima afirma que a mão de obra no setor automotivo é qualificada, mas que não há aumento no número de empregos. ''A produção aumentou (no segmento), mas isso não se transformou em aumento real para o trabalhador em salário-hora'', diz a professora.
Caminho ao deficit
O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), conta que, em 2006, as exportações de produtos básicos representavam 29,3% do total e as de manufaturados, 57,4%. Os índices tomaram caminhos inversos até o ano passado, quando as vendas de matérias-primas ao exterior subiram a 45,7% do total e as de industrializados caíram a 38,2%. ''A crise atingiu os países desenvolvidos e colocar produtos industrializados para competir no exterior ficou difícil'', diz.
O ano de 2005 foi a última vez em que a balança comercial paranaense teve saldo superior ao do ano anterior, ao ficar com US$ 5,506 bilhões ante US$ 5,378 bilhões em 2004, segundo o MDIC. Em 2006, o valor caiu a US$ 4,038 bilhões e sofreu quedas sucessivas, até ficar negativo em US$ 1,372 bilhão no ano passado. No acumulado de 2012 até setembro, a balança do Estado está com deficit de US$ 1,052 bilhão e dificilmente terá resultado melhor do que em 2011.
Conforme o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), é preciso considerar que o Paraná é porta de entrada para produtos que nem sempre ficam no Estado. Por isso, o deficit da balança não representa apenas o comércio exterior paranaense.





