Neste país cujo Governo se ufana de distribuir bolsas-família, o prato de comida do brasileiro contém pouquíssimos nutrientes. Há vitaminas essenciais (D e E) que não são consumidas por 99% da população, e a ausência desses dois nutrientes provoca problemas graves de saúde, como osteoporose, doenças cardiovasculares, diabetes e câncer. No caso deste último mal, ele tem aumentado no Brasil, enquanto cai (por exemplo) nos Estados Unidos.
A razão é a falta de políticas mais intensas de prevenção, ausência de diagnóstico precoce e pouco acesso da população brasileira às novas tecnologias terapêuticas. Dentre os cânceres, o mais frequente é o do pulmão, em decorrência do cigarro, e nas mulheres o câncer de mama. Ambos em ritmo crescente no Brasil. Existe verba suficiente para a saúde pública - R$ 40 bilhões só da CPMF, aos quais se somam outros recursos orçamentários - mas o Brasil é este país de população subnutrida e, em função disso, mais propensa a contrair doenças. Porque parte do montante da verba da saúde é canalizada para outros fins, como alimentar a gastança pública.
A realidade sobre o aumento da incidência daquelas duas modalidades de câncer foi revelada agora, em simpósio realizado em Florianópolis (com a presença de 300 profissionais de saúde) e ao qual a FOLHA DE LONDRINA compareceu. E os números da subnutrição são de recente estudo nacional feito pela Universidade de São Paulo e pela Universidade Federal de São Paulo.
Mas não são apenas aquelas duas vitaminas que faltam no organismo dos patrícios. Há outras mais. O brasileiro consome poucos legumes, frutas e verduras, produtos que existem em abundância e são relativamente baratos. O problema é também de educação alimentar. As consequências são as doenças, que além de definharem as pessoas diminuem sua capacidade de produção, sobrecarregando (no caso dos carentes) o Sistema Único de Saúde, uma instituição de sua vez debilitada porque o Governo suga-lhe parte das verbas que lhe são destinadas.
O último registro foi de que cerca de R$ 40 bilhões da CPMF do último exercício estavam retidos no Tesouro para ''fazer caixa'', ou seja, robustecer o fundo de reserva, que no total era de mais de R$ 180 bilhões. Este é o Brasil de mentalidade governamental doentia, que se orgulha de distribuir cotas individuais minguadas de renda por via do Programa Bolsa-família. Que rende votos mas não melhora a saúde dos brasileiros e - conforme casos já constatados - estimula a ociosidade, porque muitos se contentam em viver apenas disto.

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