Baixo crescimento, lutas salariais, greves
O ex-sindicalista e ex-líder grevista Luiz Inácio Lula da Silva deve estar verificando agora - se é que tem sensibilidade para isto - o incômodo da iminência de greves e a sua razão. Que é o crescimento anêmico da economia, que era assim a seu tempo de ativista e continua em seu Governo. O que Lula reivindicava das fábricas e dos governantes ele não pôde cumprir quando os papéis se inverteram e ele passou de lançador de pedras a vibraça. Os sindicatos paulistas acenam com possibilidade de greve se não forem atendidas as reivindicações salariais de 15 milhões de trabalhadores. Esse universo operário reúne as categorias grevistas mais articuladas do País - metalúrgicos, bancários, químicos e petroleiros. Já está anunciada uma grande ofensiva, que pode culminar com paralisações, e quando isto acontece no maior centro econômico do País a nação inteira é atingida. Por ora, 770 mil metalúrgicos de São Paulo vinculados à Força Sindical e com data-base em novembro resolveram unificar a campanha por aumento salarial real de 5% e reposição da inflação acumulada em 12 meses. Poderá ser este o estopim para greves generalizadas. As negociações neste ano serão difíceis, pela simples razão de que houve queda de desenvolvimento econômico, por culpa das más políticas públicas gerenciadas pelo ex-metalúrgico hoje ocupando a Presidência da República. As empresas alegam que não estão obtendo lucros, especialmente nas exportações, por causa da defasagem cambial. Lula, em seus discursos - agora intensificados na campanha pela reeleição - apregoa as suas obras assistencialistas (que lhe rendem votos) mas não mostra a verdadeira realidade, que é o sufoco das empresas. Que são as sustentadoras da economia e dos empregos mas não têm recebido incentivo do Governo petista. Sem suporte, elas têm dificuldade em conceder melhorias salariais, com a iminente gravidade de algo pior: as demissões. Só os bancos estão em condição de dar aumentos, por conta de seus contínuos lucros recordes, mas mesmo assim - sequiosos de mais acúmulo de capital - estão relutando em conceder os 7,05% pedidos pelos bancários. Neste primeiro semestre quase todos os acordos com trabalhadores garantiram reajustes iguais ou superiores à inflação, mas o baixo resultado do crescimento econômico do último trimestre - apenas 0,5% - foi uma ducha de água fria nas pretensões salariais e freou o ânimo empresarial. Não há argumento de campanha política que mascare e realidade, que é o baixo índice de desenvolvimento mostrado pelos números. Na verdade não há números, porque 0,5% de crescimento é igual a nada. Mas para o presidente Lula tudo no Brasil caminha às mil maravilhas.





