Baixo crescimento e estímulos à produção
Os números do Produto Interno Bruto (PIB), divulgados ontem, revelam o que já era conhecido. A economia brasileira cresceu menos no segundo trimestre na comparação com os primeiros três meses do ano: o índice aferido ficou em pífios 0,8% contra 1,2% no período anterior. O resultado mostra a redução da atividade industrial, que foi fortemente afetada pela taxa básica de juros - hoje em 12% ao mês - e pela valorização do real frente ao dólar, que barateou as importações.
O cenário ainda impôs uma inflação em alta, puxada pelo alto consumo. Com baixas taxas de desemprego, salário e renda em crescimento e crédito ainda abundante ao consumidor, a demanda continua aquecida. Os números portanto mostram que a produção e o consumo não estão na mesma sintonia. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o segmento nada cresceu no primeiro semestre do ano, afetado pelo baixo desempenho do PIB. Outros fatores que contribuíram para o fraco resultado ainda seriam o aumento das importações de bens de consumo (favorecido pela depreciação do dólar frente ao real), a taxa básica de juros, a alta carga tributária e o famigerado ''custo Brasil''.
No entanto, as apostas recaem para este terceiro trimestre. Com a proximidade das festas de final de ano e o recebimento do 13º salário, tradicionalmente o consumo aumenta. Este cenário certamente será repetido neste ano. No entanto, é preciso haver um forte controle sobre a inflação. O aumento sistemático dos preços não é bom para nenhum dos elos da cadeia produtiva: da produção ao consumo. As indústrias são afetadas porque não conseguem fazer seus planejamentos e os cálculos corretos dos seus custos. Já os consumidores têm o seu poder de compra reduzido.
É preciso estimular a produção, setor que gera empregos, renda e tributos. O agravamento da crise internacional indica que o Brasil poderá sim enfrentar problemas. A redução da economia chinesa irá impactar diretamente na balança comercial brasileira, dominada ainda pelas exportações de commodities. Portanto, é preciso investir em políticas que incentivem a produção até para que a geração de emprego e renda continuem em alta.





