Os governos parecem não haver aprendido a lição de que, com a diminuição da taxa de impostos e tarifas, as empresas capitalizam-se e assim dinamizam os negócios, promovem mais giro financeiro e geram mais empregos. Também os cidadãos, com menos tributação sobre serviços, ficam com mais dinheiro para gastar. O resultado disso é mais arrecadação tributária, por via da dinamização da economia. É a sábia dinâmica do desenvolvimento, com todos ganhando, sem acumulação de renda em mãos do poder público e mais moeda circulando junto às bases produtoras, assim produzindo mais riqueza. Dessa forma move-se a roda do progresso, que por extensão abre postos de trabalho e mais consumo, e assim sucessivamente, uma coisa puxando a outra. Foi assim que nações outrora pobres cresceram e se emanciparam. Este jornal acaba de publicar que os impostos consomem 44% da conta telefônica, no Paraná, e o raciocínio é o mesmo: se a alíquota baixar, o volume da arrecadação não se alterará e eventualmente até aumentará, pelo maior uso das telecomunicações e pelo maior acesso de pessoas a elas. ''Baixar as tarifas é uma forma de universalizar o sistema'' declara Leoncio Vieira de Rezende, diretor institucional da Brasil Telecom. Ele reforça que se os governos estaduais reduzissem o ICMS para a telefonia, proporcionariam com mais facilidade a tão propalada inserção digital, já que o uso do telefone se tornaria mais barato. Com o barateamento, os usuários tenderiam a utilizar mais o sistema e ocorreria também o aumento do número deles. Assim, a receita do governo seria equivalente. No Paraná o ICMS para as telecomunicações é de 27% sobre a fatura, mas no final das contas o imposto chega a 44,2%, pois é um tributo que incide sobre ele próprio, acrescido de PIS e Cofins. O Brasil, não só quanto à cobrança tributária em geral mas também das telecomunicações, é o país de tarifas telefônicas mais altas do mundo. O diretor da Brasil Telecom sugere que, para baixar esse índice, basta uma lei, sem necessidade de reforma tributária. Se o ICMS é a maior fonte de renda do Estado, não há risco de queda de receita, pela razão acima apontada. A redução do porcentual de imposto acaba por aumentar o bolo da arrecadação. Essa contabilidade é simples, e a prática de países desenvolvidos todos cobrando impostos bem abaixo do cobrado no Brasil demonstra essa assertiva. Se o erário sangra menos o sistema produtivo, concentra menos dinheiro em seus cofres, e essa moeda invevitavelmente girará na cadeia produtiva, alavancadora e sustentadora da economia. Se a moeda circulante é sempre a mesma, com pequenas variações, o desenvolvimento econômico-social se manifesta quando essa moeda circula. O governo do Paraná, que tem optado por algumas medidas dinamizadoras, como a recente decisão de fracionar as licitações, poderia dar mais esse passo, o da diminuição da alíquota mencionada, e esperar pelos resultados, que com toda a certeza seriam promissores para todas as partes envolvidas.

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