Se o preço de uma mercadoria aumenta no atacado ou se um maior imposto incide sobre ela, o varejista repassa essa alta para o consumidor. Esta é a lei dos negócios. Mas quando se dá o contrário, ou seja, se um produto baixa na fonte, esse benefício não chega à freguesia. Uma eventual redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) sob certos itens de maior consumo – como pretende o governo do Paraná – não resultará em vantagem para a população (incluindo a de baixa renda, que o governo visa beneficiar com a projetada medida), porque a praxe tem mostrado isso.
  Além de pouco ou nada mudar para melhor com a eventual baixa do imposto, é arriscado o governo compensar o que houver de queda de receita se, como contrapartida, elevar o ICMS dos combustíveis e da energia elétrica. Porque será o mesmo povo (incluindo as classes pobres) que irá pagar a conta, pela razão simples de que todos utilizam transporte (movido a combustível) e a energia. Já se sabe, então, do resultado: a baixa do tributo não seria repassada ao consumidor em forma de benefício, mas a elevação para os dois itens, isto sim logo seria transferido para a conta do povo.
  A fórmula do governo, portanto, não terá efeito positivo. Essa verdade é reafirmada – em declaração a este Jornal – pelo economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos. O que precisa é o comerciante conscientizar-se de que necessita do consumidor e, por isso, deve contemplá-lo sempre que houver oportunidade. O comerciante não sobrevive sem o freguês mas, no mais das vezes, não zela por ele. Como um e outro são interdependentes, essa relação deveria ser mais harmônica, para ser duradoura e conveniente para ambos.
  A concorrência na atividade comercial nem sempre é decisiva para benefício do consumidor, porque prevalece um certo cartelismo. Se um produto sobe em um estalecimento, especialmente se este for grande, os congêneres tendem a segui-lo. Eles se pesquisam mutuamente e durante todo o tempo, mas não propriamente para baixar preços e sim para equipará-los, e obviamente que com tendência para cima. Não por acaso os preços de todas as coisas estão sempre subindo. Dessa forma o comerciante acaba conspirando contra ele mesmo.
  Baixar o ICMS sobre produtos de maior consumo é, de qualquer modo, salutar – ao menos para o comerciante – mas não com o aumento desse mesmo imposto sobre outros itens, porque dará na mesma. E nem exatamente isso, mas pior, porque uma alta tributária incidente sobre combustível e energia atingirá imediatamente o bolso do povo, rico e pobre. Parece melhor o governo deixar as coisas como estão.

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