Bacia de Campos é a principal produtora
Criada há 50 anos, a Petrobras passou pelo primeiro choque do petróleo, no final da década de 70, produzindo apenas 165 mil barris de petróleo por dia e com forte dependência do mercado externo. Nessa época, a empresa ainda não colhia os louros da sua principal aposta: a Bacia de Campos, região que ladeia o litoral Norte do Estado do Rio e parte da costa capixaba.
Este potencial foi descoberto em meados da década de 70, nas primeiras incursões da estatal pelo mar antes, a maioria dos campos produtores localizavam-se em terra firme. Em 1974, a Petrobras descobre o campo de Garoupa, que marca o início de uma nova fase exploratória no Brasil. Em 1977, inicia a produção no campos de Enchova.
O caminho rumo ao oceano rendeu à empresa o título de detentora de uma das mais modernas tecnologias de exploração e produção de petróleo em águas profundas. O último recorde, do campo de Roncador, foi a produção de petróleo a cerca de 1,8 mil metros de lâmina d'água (distância entre a superfície e o fundo do mar).
Dezenas de bilhões de dólares depois, a Bacia de Campos configura-se como responsável por 80% da produção nacional de petróleo e principal aposta para a descoberta de novas reservas. É também responsável pela redução do peso da Petrobras na balança comercial brasileira. Por produzir um óleo extremamente pesado (mais difícil de refinar), o campo de Marlim tornou-se um dos principais exportadores brasileiros. No ano passado, a estatal vendeu no mercado externo 233 mil barris de petróleo por dia, volume 89,4% superior ao exportado em 1999.
Ao mesmo tempo, a empresa continua importando petróleo e derivados. Em 2002, as compras no mercado externo somaram 542 mil barris por dia. Isto ocorre porque as refinarias nacionais, construídas há mais de 20 anos, foram preparadas para processar petróleo leve, importado, e não suportam o pesado petróleo de Marlim na produção de derivados leves como gasolina, diesel e GLP. A empresa iniciou, há dois anos, um programa de investimentos para recapacitar suas refinarias e tirar produtos leves com maior valor de mercado de petróleo mais pesado. Estão sendo investidos US$ 1 bilhão por ano no parque de refino. Há ainda a possibilidade da construção de uma nova refinaria no País.





