'BABÁ TECNOLÓGICA' - Celular é nova arma contra a obesidade
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sexta-feira, 16 de abril de 2010
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Já faz tempo que as crianças desconhecem os prazeres de brincar na rua, em parques ou em outras áreas de lazer. Com o aumento da violência e a vida cada vez mais atribulada dos pais, os momentos de corrida, pega-pega e outras brincadeiras ficam cada vez mais restritos aos finais de semana ou às férias. O resultado são horas e horas na frente da televisão e do videogame e, como consequência, crianças e jovens cada vez mais obesos e com doenças antes restritas aos adultos, como diabetes e pressão alta.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, atualmente, 155 milhões de crianças em todo o mundo estão com sobrepeso e destas, 40 milhões são obesas. As consequências disso e o que fazer para evitar não são novidade. As soluções são alardeadas pelos médicos e nutricionistas o tempo todo. A novidade fica por conta do recurso utilizado para lembrar os pequenos a se alimentar corretamente e a fazer exercícios: as mensagens de texto através do celular.
Pesquisa realizada pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, com 58 crianças, entre 5 e 13 anos de idade, comprovou a eficiência das mensagens de texto no combate à obesidade infantil e de adolescentes. O experimento envolveu 30 famílias divididas em três equipes. Uma usava cadernos para acompanhar o consumo de calorias e a quantidade de tempo gasto vendo televisão, outra não anotava nada e a terceira recebia mensagens de texto, redigidas pelos pesquisadores, com dicas de como controlar o peso, que deveriam ser lidas e respondidas pelas crianças.
A equipe que usou os aparelhos telefônicos teve adesão de 43% ao tratamento, contra uma média de 19% dos outros métodos. Luciana Kotaka, psicóloga especialista em obesidade e transtornos alimentares em Curitiba, afirma que ''todo processo de perda de peso exige de cada pessoa comprometimento e desejo, para se alcançar um objetivo.'' ''Existem várias dietas, ou programas de perda de peso, e sabemos o certo e o errado da alimentação, mas colocar em prática esses conhecimentos não é uma tarefa fácil'', adverte. Luciana também adota o envio de mensagens pelo celular com alguns de seus pacientes e em entrevista à FOLHA conta como é a experiência.
Por que o envio de mensagens de texto por celular funciona bem com crianças e adolescentes?
Tanto as crianças quanto os adolescentes estão muito ligados na tecnologia e adoram um celular. Em função desse fato, o celular acaba por ser o meio mais rápido e eficiente de fazer chegar a informação até eles.
Mas o celular não pode servir como substituto dos pais no auxílio e supervisão dos filhos, não é?
De forma alguma. Os pais têm a função de proteger, orientar e supervisionar o processo de seus filhos. O celular deve ser usado como instrumento à parte, somente em casos de necessidade e com o devido limite.
Como os pais podem usar essa tecnologia para lidar com os filhos?
Podem estabelecer regras, como chegada e saída do filhos da escola de inglês, como forma de cuidar do dia do filho, saber onde ele está, fazendo o que e com quem.
Como é a sua experiência com o uso das mensagens de texto?
Utilizo quando percebo que se faz necessário o uso de estímulos frequentes. O paciente está longe do consultório e precisa ser lembrado e motivado a manter os comportamentos adequados para perder peso. Tanto as crianças como os adolescentes necessitam de auxílio e orientação constante, porque ainda não sentem-se seguros ou mesmo preparados para cuidar de si mesmos. Tenho tido um ótimo retorno, pois quando motivados eles se empenham mais em cuidar do que comem e em praticar exercícios físicos.
Todos os pacientes e todos os casos aceitam o uso dessa tecnologia?
Nunca enfrentei resistência da parte deles. Muito pelo contrário, adoram saber que a psicóloga está atenta, dando atenção.
A criança ou jovem não avalia essas mensagens como alguém ''pegando no pé''?
Não quando utilizamos esse recurso com sabedoria, no momento certo. Temos que ter uma boa ligação com o paciente, vínculo já estabelecido, para podermos adentrar a intimidade do dia a dia deles sem passarmos por chatos.
Tanto crianças quanto adolescentes estão muito ligados na tecnologia
Paciente precisa ser motivado a manter comportamentos adequados


