Como aves migratórias em busca de alimento, eles cruzam o mundo atrás de liberdade. Todo ano, uma verdadeira legião de adeptos dos encontros de motociclismo rasgam as estradas do planeta em cima de máquinas estupendas, com asas potentíssimas, movimentando os locais por onde passam. Neste final de semana, a parada aconteceu em terras vermelhas com a realização do 2º Encontro Internacional Motociclístico de Londrina, no Autódromo Internacional Ayrton Senna.
Eles sempre vão chegando aos poucos, em duplas ou em trios. A ''plumagem negra'' de couro chega a assustar os menos acostumados, mas quando se olha mais de perto, percebe-se que funciona mais como proteção e como composição de um estilo do que propriamente como roupa de batalha. Para voar pelas estradas, usam motores potentes que roncam forte quando acelerados.
Em algum tempo, eles se juntam aos milhares. Entre sexta-feira e hoje, mais de sete mil motociclistas estão reunidos no autódromo. Movidos a gasolina e pela paixão por motocicletas, eles se encontram para rever amigos e conhecer outros iguais. É gente que não mede esforços, nem dinheiro, para cultivar um estilo de vida que já virou lenda.
''O que me dá mais prazer é carregar minha moto com uma barraquinha, colchão e cobertor, encher o depósito de gasolina e arrancar por uma estrada sem fim, com alguma grana no bolso'', relata o português ''Barão'', 38 anos. Natural de Cintra, próximo à Lisboa, o bancário de profissão aportou pela primeira vez num encontro de motociclismo na América do Sul. Na Europa, ele é um 'habitué' dos eventos mais radicais e em 20 anos como motociclista calcula que já rodou mais de 140 mil quilômetros sobre duas rodas.
Neste ano, Barão participou do maior encontro de motociclistas do mundo, realizado em julho na cidade de Faro, em Portugal. Foram nada menos do que 32,8 mil motos. Como veio de avião e não pôde trazer sua Goldwing de R$ 42 mil, ele emprestou uma moto dos companheiros do motoclube ''White Devils'' (os Demônios Brancos) de Londrina. Barão não sentiu grandes diferenças entre o evento londrinense e os europeus. ''Em nível das motos, pensei que fosse encontrar motos pequenas, mas não foi o que aconteceu. Já a filosofia (dos encontros) é a mesma em todo o mundo'', elogia.
O bancário português veio trazido pelo amigo ''pé vermelho'' Eduardo Limão, 39 anos, integrante do White Devils, e que está vivendo em Portugal há alguns meses. Os dois concordam que o investimento necessário para manter o estilo é o menos importante. ''Estamos investindo internamente, é um investimento cultural.'' Quanto à fama de arruaceiros e da cara de mau, Barão diz que o pensamento geral de que são ''feios, porcos e malvados'' não corresponde à realidade. ''Nos reunimos para rever amigos, fazer outros novos, contar histórias e beber cerveja'', revela.

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