Os dados mais recentes da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgados na quarta-feira (3), revelam uma melhora significativa nas condições socioeconômicas do país em 2024. Mais de 8,6 milhões de brasileiros deixaram a pobreza, reduzindo a proporção de pessoas abaixo da linha definida pelo Banco Mundial para 23,1% — o menor índice desde o início da série histórica, em 2012.

A extrema pobreza também recuou, segundo a pesquisa do IBGE, atingindo o menor nível já registrado. Esses avanços consolidam três anos consecutivos de recuperação após o impacto profundo da pandemia.

Em 2024, o Brasil tinha 48,9 milhões de pessoas que viviam com menos de US$ 6,85 por dia, o que equivale a cerca de R$ 694, em valores corrigidos para o ano. Esse é o limite que o Banco Mundial define como linha da pobreza. Em 2023, o contingente na pobreza era de 57,6 milhões de brasileiros.

Os indicadores mostram o terceiro ano seguido com redução no número e na proporção de pobres, marcando uma recuperação pós-pandemia de Covid-19, desencadeada em 2020.

A combinação entre a retomada do mercado de trabalho e a ampliação dos programas de transferência de renda explica boa parte da evolução observada. Medidas como a elevação do valor do Bolsa Família e o reaquecimento da atividade econômica contribuíram para reduzir a vulnerabilidade de milhões de famílias.

Um ponto, no entanto, continua crítico: a desigualdade regional e racial. No Norte e Nordeste, as taxas de pobreza estão muito acima da média nacional, e pretos e pardos enfrentam níveis de vulnerabilidade bem superiores aos da população branca. Embora o Índice de Gini tenha atingido seu menor valor desde 2012, o recuo, ainda que relevante, não altera substancialmente o quadro de desigualdade estrutural que caracteriza o Brasil.

Outro aspecto retratado pelo levantamento é o aumento da participação de idosos no mercado de trabalho. Movido tanto pela maior expectativa de vida quanto por mudanças decorrentes da reforma da Previdência, o fenômeno sugere uma transformação duradoura no perfil da força de trabalho.

Os dados do Paraná apontados pela pesquisa foram muito positivos. O estado registrou uma das menores taxas de pobreza do país e figura entre os líderes em redução da vulnerabilidade social, com destaque para a capital, Curitiba.

Os números divulgados pelo IBGE oferecem motivos reais para otimismo, mas também um alerta. A trajetória de redução da pobreza e da desigualdade depende de políticas duradouras, do fortalecimento do mercado de trabalho e da atenção contínua às regiões e grupos mais vulneráveis.

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