O resultado do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado nessa semana pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), indica uma melhora do Brasil nos indicadores que apontam para a qualidade de vida da população. No entanto, expõe as mazelas sociais, já tão comuns aos brasileiros. Segundo o ranking, o País ocupa a 84 posição, ante uma avaliação de 187 nações. A Noruega está no topo da lista.
Na última década, efetivamente houve uma melhora ao acesso à saúde e à educação. Os índices de criminalidade foram reduzidos, houve aumento na oferta de emprego e os programas de distribuição de renda contribuíram para a redução da desigualdade social. No entanto, poucos foram os avanços em qualidade. Em geral, o ensino público e o atendimento de saúde deixam - e muito - a desejar, uma parcela da população ainda está em subempregos e os salários são considerados baixos.
O relatório aponta que a renda dos brasileiros subiu mais de 50% desde 1985, alcançando US$ 10.162 PPP (Paridade por Poder de Compra, uma medida internacional feita para comparar as diferentes moedas mundiais). Apesar do aumento, o valor é bem inferior ao registrado na Turquia e na Tunísia, países com IDHs semelhantes ao brasileiro, e apenas pouco mais de um quinto da renda per capita da Noruega. A comparação torna evidente que é preciso promover muitas melhorias na renda da população. No entanto, há que se registrar que a política de correção do salário mínimo é equivocada. Os reajustes anuais são sempre muito superiores ao crescimento da própria economia, da cadeia produtiva e das demais categorias de trabalhadores e acaba gerando aumento generalizado nos preços finais.
Já na educação, a inclusão de famílias nos programas de distribuição de renda condiciona a matrícula e frequência na escola de filhos menores. No entanto, com baixos investimentos em educação e professores desestimulados, os resultados não são alentadores. O que se vê é uma leva de analfabetos funcionais. A saúde, apesar do acesso universal garantido pelo Sistema Único de Saúde, continua um caos em praticamente todo o País. A análise pura e simples dos números apresentados pelo PNUD indica avanço, mas é preciso melhorar a qualidade dos serviços oferecidos à população. A arrecadação é alta e tem crescido ano a ano. Só basta vontade política para reverter tudo isso em favor da população. Inchar a máquina pública não irá melhorar a vida dos brasileiros.

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