Avanços na educação
É fato que o nível educacional dos brasileiros não avançou. Embora mais pessoas estejam regularmente frequentando as escolas, esse aumento quantitativo não foi traduzido em melhoras qualitativas. A afirmação é corroborada pelo próprio comportamento do mercado de trabalho que, nos últimos anos, não conseguiu suprir a demanda por mão de obra qualificada, principalmente na indústria. Passada a fase de contratações, as empresas não têm conseguido melhorar a produtividade devido à baixa escolaridade de seus funcionários.
Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aponta que o trabalhador precisa passar dos atuais 7,9 anos em média na escola para 15 anos até 2030 para que a economia entre em um ritmo de crescimento sustentável. Com mais anos na escola, melhora-se a renda per capta e, consequentemente, diminui a diferença salarial entre ricos e pobres índice que tem apresentado crescimento nos últimos anos.
Mas para reverter esse panorama é preciso investimentos. O Brasil precisa aumentar o orçamento destinado à educação. Dados do Ministério da Fazenda indicam que entre 2003 e 2012, as verbas destinados ao setor saíram de 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB) para 6,1%. Comparativamente a países desenvolvidos como Finlândia, Suécia, Coreia do Sul e Japão é um índice muito baixo. Para que ocorra um "salto econômico" no curto prazo semelhante a esses países seria necessário que os recursos atingissem pelo menos 10% do PIB.
No entanto, o que pode ser constatado é a falta de vontade política para que isso ocorra. Distribuir dinheiro a famílias de baixa renda parece um programa muito mais efetivo do ponto de vista eleitoral do que investir na qualidade do ensino público. Injetar recursos na educação se traduz em resultados a longo prazo e são mais difíceis de serem percebidos e mensurados pela população. Mas somente com a implantação de uma política séria, com o desenvolvimento e a execução de programas que visem melhorar a qualidade da educação pública é que o Brasil entrará na rota do desenvolvimento sustentável.





