AVANÇOS Londrinenses montam satélite espacial
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sábado, 03 de maio de 2003
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
Londrina se prepara para entrar na era espacial com o lançamento do primeiro satélite universitário brasileiro. Um grupo de alunos de Computação e Engenharia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Norte do Paraná (Unopar) vem desenvolvendo há dois anos o projeto Unosat, um nanossatélite (satélite pequeno) que vai para o espaço acoplado a um outro satélite maior, o Satec, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial, o Inpe. Apesar do tamanho reduzido o Unosat pesa oito quilos e é um pouco menor que uma caixa de videocassete ele é capaz de armazenar e transmitir para a base terrestre informações como a temperatura de bordo, as tensões das baterias e a aceleração.
Para facilitar o trabalho, os alunos foram divididos em equipes que se encarregaram de fazer cálculos, construir e testar os painéis solares, baterias, antenas, transmissores e computadores que equipam o satélite. Tudo sob a supervisão do professor Fernando Stancato (Unopar) e do pesquisador Antonio Deliberador (UEL). ''Para os alunos foi uma experiência muito enriquecedora. Eles ficam motivados a estudar uma disciplina quando percebem que aquilo tem aplicação prática'', diz o professor Stancato.
O Unosat já passou por vários testes e foi aprovado em todas as experiências realizadas pelo Inpe. O lançamento vem sendo adiado desde outubro. O problema não é com os satélites e sim com o foguete VLS (Veículo Lançador de Satélite). As duas primeiras tentativas feitas pelo Inpe não deram certo e o foguete teve que ser destruído. ''Colocar um foguete desses no ar custa até US$ 20 milhões. Por isso as datas de lançamento vem sendo adiadas para que o Inpe possa acertar o VLS'', informa o pesquisador Antonio Deliberador. Por causa dos problemas com o foguete, o Inpe decidiu fazer do Satec um satélite simples e barato cerca de US$ 500 mil. Perto do Satec o custo do Unosat é considerado uma ''bagatela'': aproximadamente R$ 8 mil. A última informação do Inpe é que o lançamento dos satélites deve acontecer agora em maio, na base de Alcântara, no Maranhão.
Enquanto aguardam ansiosos para ver o satélite no espaço, os participantes do projeto Unosat já trabalham com outras idéias: ''O Unosat é um protótipo e abriu um leque de possibilidades interessantes com aplicações práticas para a sociedade'', afirma Stancato. O próximo projeto deve usar o satélite como localizador de veículos, pessoas e até animais: ''Donos de grandes rebanhos, por exemplo, vão poder acompanhar o gado via satélite'', imagina o professor. Uma outra aplicação prática seria na área de comunicações: ''Como o satélite passa pela região da Amazônia de duas em duas horas, queremos usá-lo para facilitar o contato entre as pessoas. Isso pode ser feito com transmissores comuns de rádio'', garante Stancato.


