Avanço parcial no transporte rodoviário
Medida da ANTT restabelece ligação entre 4,6 mil destinos interestaduais do Paraná, mas gargalo nas linhas intermunicipais continua
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terça-feira, 28 de abril de 2026
Medida da ANTT restabelece ligação entre 4,6 mil destinos interestaduais do Paraná, mas gargalo nas linhas intermunicipais continua
Folha de Londrina 
A recente publicação do Comunicado SUPAS nº 41/2026 pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) marca um passo relevante para a logística nacional. A reestruturação do transporte rodoviário interestadual, viabilizada pela Janela Extraordinária, projeta um cenário de maior competitividade e capilaridade. No Paraná, o impacto é numérico e expressivo, com mais de 4,6 mil mercados no radar de ampliação, o que promete conectar cidades paranaenses a destinos de estados vizinhos e de outras regiões do país.
A medida é fundamental para romper o engessamento de um setor historicamente marcado por monopólios. Ao abrir espaço para que o número de empresas autorizadas cresça 52%, a ANTT fomenta a concorrência direta. Para o passageiro, essa mudança representa a expectativa de uma melhor prestação de serviços, com frotas modernas e preços competitivos, além do atendimento a localidades pequenas. Cerca de 85% dos novos municípios contemplados possuem menos de 40 mil habitantes, o que garante respaldo jurídico e operacional a milhares de rotas que antes operavam sem regularidade ou sob o domínio de apenas uma viação.
Contudo, o entusiasmo com a conectividade interestadual esbarra em uma realidade local preocupante. Esta medida soluciona gargalos entre estados, mas ignora o isolamento crescente de diversas regiões dentro do próprio território paranaense. Enquanto é possível planejar uma viagem de Santo Antônio da Platina para o Centro-Oeste, o cidadão encontra barreiras intransponíveis para se deslocar entre cidades vizinhas ou polos turísticos do Paraná. A rede de transporte intermunicipal sofre um processo de desidratação, com linhas tradicionais desaparecendo e terminais rodoviários sendo desativados, deixando populações inteiras reféns do transporte particular.
O isolamento atinge destinos estratégicos para a economia e o lazer, como ocorre em Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro. Lá, a rodoviária serve apenas como ponto de partida para Curitiba, e o acesso ao município permanece restrito a quem possui carro próprio. Situação semelhante é enfrentada em Porto Rico e São Pedro do Paraná, cidades banhadas pelo Rio Paraná com alto potencial balneário, que se encontram virtualmente excluídas do mapa do transporte público regular. Em São Pedro do Paraná, o terminal sequer funciona, evidenciando o abandono de rotas que deveriam fomentar o turismo e a integração regional.
O direito de ir e vir, garantido pela Constituição, fica comprometido quando a infraestrutura de transporte ignora a demanda interna em prol apenas das grandes rotas federais. A mobilidade humana deve ser tratada como um sistema completo, pois o fortalecimento dos grandes eixos perde o sentido se as vias que alimentam o interior do estado continuam obstruídas. O isolamento trava o desenvolvimento econômico. A mobilidade é um dos temas a se ficar de olho neste ano eleitoral, principalmente se ele está na pauta de seu candidato a deputado estadual e ou federal.
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