A contratação de uma auditoria externa na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep) surgiu no pacote de primeiras medidas do novo presidente da Casa, Valdir Rossoni (PSDB), mas, quase um mês depois do anúncio, não se sabe se ela sairá mesmo do papel. Uma primeira reunião com a Fundação Getúlio Vargas chegou a ser feita, mas o presidente tucano já declarou mais de uma vez que a Casa ''tem pressa'' em colocar ordem nas coisas, e que os técnicos do Tribunal de Contas estadual, já disponíveis para a tarefa, poderiam agilizar a missão.
Declarações do tipo passaram pelos olhos de quem deseja mudanças no Legislativo sem receber atenção. Pois na esteira de uma série de medidas importantes anunciadas pela nova cúpula da Casa, a auditoria externa entra na lista como se fosse uma contribuição adicional a uma gestão que já sabe o que deve ser feito dentro do Legislativo. Mas aí há um engano: se a auditoria externa não sair do papel, o avanço que se desenha no Legislativo está correndo riscos.
Não há dúvida que se trata de um novo capítulo tanto na Assembleia Legislativa quanto no Tribunal de Contas, no que diz respeito, ao menos, a intenções publicamente expostas. Mas, ao tentar resolver os problemas no estilo ''caseiro'' - ou seja, com as ferramentas do próprio Tribunal de Contas -, a Alep não rompe com seu passado.
No TC, o novo presidente do órgão, conselheiro Fernando Guimarães, determinou um reforço na fiscalização do Legislativo, decisão que não foi tomada em 2010, no auge de denúncias envolvendo a Alep, e quando Hermas Brandão, ex-presidente da Alep, estava à frente do TC. Mas, se por um lado a decisão do novo presidente do TC se assemelha ao clima de renovação que Valdir Rossoni tenta impregnar na Alep, não se pode ignorar que, no passado, o principal órgão de controle e fiscalização do dinheiro público no Estado se manteve em silêncio diante do que acontecia no Legislativo.
Hoje, o novo comando do TC sustenta que os problemas na Alep não foram detectados e revelados pelo órgão por ausência de informações sobre as situações que ocorriam no prédio vizinho. Mas cobrar por transparência também é função do TC, e o papel miúdo que adotou no passado também pode ser colocado na esfera dos problemas do Centro Cívico. Também o tucano Valdir Rossoni, como segundo secretário da Alep, função que ocupou durante a presidência de Nelson Justus (DEM), tem sua parcela de responsabilidade.
Romper com o passado não significa ignorá-lo. Assim, se a intenção é de fato avançar, o primeiro passo é reconhecer que um olhar independente tem mais condições de dar suporte ao avanço.

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