O avanço rápido da dengue na zona rural de Londrina preocupa. A quinta morte na cidade em 2019 foi confirmada nesta quinta-feira (25). A vítima é um homem de 74 anos que morava em Paiquerê, na zona rural. Ele sofria de comorbidades, como uma disfunção pulmonar crônica e hipertensão. Morreu em virtude de uma pneumonia, após três dias internado.

Segundo os moradores de Paiquerê, uma boa parte dos 2.479 habitantes já teve dengue ou algum parente que foi infectado. Em último boletim epidemiológico, onze casos da doença foram confirmados na localidade, segundo a Secretaria de Saúde de Londrina. Mas os moradores do distrito alegam que mais de cem pessoas foram contaminadas. Pelos dados municipais, a incidência de dengue em Paiquerê é a segunda maior de todas as regiões de Londrina: 443,7, atrás somente de Itapoã, bairro da zona sul da cidade, com 2.740,3. Em toda a zona rural, 19 casos foram registrados. Outros distritos preocupam, como Regina (4), Irerê (3) e Lerroville (1).

Em entrevista à FOLHA, a diretora de Vigilância em Saúde de Londrina, Sônia Fernandes, explicou que a tendência natural da dengue é oscilar entre os anos. Ela lembrou que em 2016 Londrina teve um número elevado de casos, com uma morte. Nos anos seguintes o cenário foi mais tranquilo e, agora em 2019, voltou com força. Desde 30 de dezembro, Londrina já conta com 749 confirmações.

Os casos de dengue cresceram em todo o País neste ano. Até dia 16 de março foram registrados 229.064. Dados do Ministério da Saúde mostram que no mesmo período de 2018 foram contabilizados 62,9 mil casos da doença. Esse crescimento drástico sinaliza que o Brasil está falhando na prevenção. E a prevenção envolve diretamente uma mudança cultural.

Há duas medidas que podem fazer diferença. A primeira é multiplicar a informação, com ações de conscientização por meio dos órgãos públicos. Como vem fazendo a prefeitura de Londrina com sua campanha de esclarecimento, que tem o objetivo de mobilizar a população sobre a importância de intensificar os cuidados. E nesse ponto chegamos à segunda medida, que é o combate ao mosquito transmissor, o Aedes aegypti. A população precisa se comprometer realmente e fazer a parte dela. Começa dentro de casa, pois é responsável de cada um manter as residências, comércio, indústrias e áreas públicas livres de criadouros do Aedes. Cada um tem que fazer a sua parte. São atitudes individuais que certamente farão diferença na vizinhança. A responsabilidade de frear o avanço da dengue é coletivo.

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