Trinta e um anos depois de relatado o primeiro caso, a cura da aids parece ainda estar longe de ser descoberta. O vírus HIV continua sendo uma ameaça a todos os continentes, principalmente em países africanos, onde a enfermidade ganhou status de epidemia. No entanto, apesar do cenário nebuloso, há algumas boas notícias: o número anual de novos casos de infecção pelo vírus caiu 25% em todo o mundo entre 2001 e 2009, de acordo com dados das Nações Unidas. Reflexo da educação e da conscientização das pessoas e da intensificação dos programas de prevenção.
No entanto, se há avanços também é possível afirmar que há retrocesso. Matéria de ontem desta FOLHA relata o chamado ''comportamento de risco'', assumido principalmente por jovens, que desconhecem o efeito devastador da doença. São pessoas que nasceram após a descoberta dos medicamentos antirretrovirais e que não têm na memória imagens de soropositivos definhando, como frequentemente ocorria nas décadas de 80 e 90. Atualmente, segundo relatos de autoridades, os jovens estão mais preocupados com a gravidez precoce do que com as doenças sexualmente transmissíveis.
Aliás, somente entre a faixa etária de 13 a 19 anos, a maioria das contaminações ocorre entre o sexo feminino. Nos demais grupos, os homens concentram a maioria dos casos, mas a proporção de contaminados tem caído. Em 1989, de cada seis homens infectados havia apenas uma mulher contaminada. Em 2010, essa relação passou de 1,7 caso masculino para um feminino.
A prevenção ainda é a melhor forma de se evitar o avanço e a disseminação da aids. Se a doença não tem mais cara, como afirmam as autoridades, todos precisam estar alertas e tomar cuidados básicos para evitar a contaminação. As escolas precisam incluir em seus currículos aulas de orientação sexual, assim como os pais devem assumir a responsabilidade de conversar e educar seus filhos para conter o avanço da doença. Adolescentes e jovens devem claramente conhecer os riscos de todas as doenças sexualmente transmissíveis e ser orientados sobre a importância de se ter uma vida sexual saudável. O vírus da aids continua em circulação e não pode ser ignorado.

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