A tecnologia tornou-se um dos principais fatores de desenvolvimento no mundo moderno, principalmente com a abertura econômica. Segundo o último relatório do Banco Mundial sobre o desenvolvimento, os países que mais se desenvolveram nas últimas décadas não foram os que tinham mais dinheiro, mas os que priorizaram a educação e o conhecimento.
Há vários tipos de conhecimento, porém o mais importante para o desenvolvimento é o domínio sobre a tecnologia. O Banco Mundial ainda estima que o uso intensivo da tecnologia seja capaz de reduzir os custos de produção em 30%. Recentemente a imprensa divulgou dados sobre a progressiva perda de competitividade do Brasil no mercado mundial, nas últimas décadas, pelo baixo conteúdo tecnológico de seus produtos.
Na pauta de exportações brasileiras, o percentual de produtos com conteúdo tecnológico é de 21%, sendo que o da Coréia é de 44% e o do México de 50%. Ou seja, ainda exportamos principalmente matéria-prima, e, portanto, este é um dos motivos por que a cada dia estamos ficando excluídos do time dos desenvolvidos. É importante entender que nessa nova ordem mundial, quem detém o conhecimento e a tecnologia dita as regras da economia, porque a abertura econômica acelerou a dependência tecnológica, e quem tem que importar também acaba pagando a conta do desenvolvimento de quem vende.
Traçando um paralelo deste contexto com o processo de desenvolvimento da região de Londrina, verificamos que houve, no município, uma radical mudança da sua vocação econômica, nestas últimas três décadas, com importantes modificações, no seu perfil, principalmente após a última grande geada, que ocorreu na década de 70. Conforme dados do Paranacidade, órgão vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano (Sedu), esses são os números referentes à participação dos setores econômicos no PIB municipal: 76% serviços, 21% indústria e 3% agropecuária.
Isto demonstra que a prestação de serviços tem sustentado a economia municipal, mas dificilmente qualquer desses setores terá condições de alavancar o desenvolvimento para as próximas décadas se não for aplicada intensivamente a tecnologia em seus produtos e processos.
Londrina tem que dar um novo salto de desenvolvimento, pois, pelo seu rápido crescimento, em 66 anos, precisa gerar, continuamente, empregos para seus cidadãos. O modelo de desenvolvimento que se deve buscar precisará basear-se na sustentabilidade. O desafio será melhorar a qualidade de vida da população e a competitividade das empresas, para o que a tecnologia representa instrumento estratégico.
Algumas cidades estão dando este salto, como Campinas, que investiu intensivamente em tecnologia, entre 1980 e 1985, através da Unicamp, e se beneficia até hoje do crescimento e desenvolvimento do seu parque industrial, oriundos desse investimento; e como Pato Branco (PR), com 65 mil habitantes e que, com um projeto proposto pelo poder público municipal, de longo prazo (25 anos), visa preparar a cidade e a região para um processo de inovação permanente, a partir de ampla articulação das instituições de ensino, pesquisa e economia, e da integração da tecnologia com o trabalho e o desenvolvimento urbano.
O projeto do Sudoeste teve início em 1996, e pelos resultados iniciais já está aparecendo no mapa do Paraná como pólo regional. Alguns dos resultados são a evasão e a repetência escolares próximas de zero, pelo investimento intensivo na educação; aumento significativo do PIB, com a implantação de um centro industrial tecnológico, que atraiu empresas de alta tecnologia; implantação de incubadora com programas de empreendedorismo, e um programa para industrialização dos produtos agropecuários, como alternativa de renda para conter a evasão populacional que vinha sofrendo.
O fato é que Londrina tem universidades e empresas importantes, privilegiada posição geográfica, um bom número de mestres e pesquisadores, excelente infra-estrutura e boa qualidade de vida, ou seja, possui os atores e as bases necessárias para avançar para a era tecnológica, o que é necessário para promover o desenvolvimento é a dinamização da atividade empresarial, evidenciada pela geração, transferência, uso e aplicação intensiva de tecnologias. Esta atividade é impulsionada, além de outros elementos, principalmente pelos empresários.
É preciso formar e desenvolver empresários. Portanto, é importante a criação e o apoio de sistemas de desenvolvimento de emprendimentos como as incubadoras, condomínios empresariais e a promoção da cultura empreendedora em diversos níveis de abrangência. É preciso também incentivar as universidades e centros tecnológicos, para promoverem um processo de geração e transferência de tecnologia que chegue até as empresas.
Ainda são importantes as infra-estruturas de apoio, como terrenos e imóveis adequados para receber empreendimentos, e acesso ao capital para viabilizar o desenvolvimento de negócios, através de linhas de financiamentos especiais e de capital de risco.
E, finalmente, esses elementos devem ser potencializados por meio de diversas entidades, de caráter governamental, não-governamental, empresarial e técnico-científico. Portanto, o estabelecimento de parcerias efetivas entre as várias instituições e os agentes locais é fundamental para estimular o desenvolvimento local.
- MARCEL ANTOINE HASWANY é engenheiro civil e diretor de Desenvolvimento da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel)
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