A alegação para a venda da Sercomtel Celular é que, diante do poder das gigantes multinacionais, falta-lhe suporte para competir, e que por isso está operando com prejuízo. Não se sabe até que ponto isto é verdadeiro ou se falta competência de gestão, porque o setor da telefonia celular é um negócio em expansão, no Brasil e no mundo, tanto pela atração como simples e prático instrumento de comunicação como pelos avanços em si mesmo algo que se converteu num quase faz-tudo, nem se podendo dizer que só lhe falta falar... (Apenas en passant, e para esclarecer: não é a empresa Sercomtel que o Município deseja vender, mas a Sercomtel Celular, um apêndice da companhia. Aquela valendo em torno de R$ 500 milhões, segundo alguns avaliadores e com base no fluxo de receita, e a Sercomtel Celular R$ 150 milhões ou pouco menos). Uma questão de ordem legal, que está sendo levantada, é que a Celular não pode ser vendida separadamente. Há alguns pontos a discutir: o primeiro deles, se deve-se vender a Sercomtel Celular sem uma avaliação acerca de seu gerenciamento; segundo, há um impedimento dessa venda, por decisão de plebiscito realizado em 2001, e esse referendo popular é lei e não pode ser simplesmente anulado, a não ser por via de outro plebiscito que assim decida; e mais: o que irá fazer o poder público municipal que administra a empresa Sercomtel com o dinheiro da venda da Celular. Sem um esclarecimento convincente a respeito é imprudente liberar tanto dinheiro para, eventualmente, ser gasto em obras não prioritárias, quando a cidade tem milhares de pessoas habitando na promiscuidade das favelas. Ademais, uma triste lembrança está na memória do povo londrinense, a do paradeiro nunca claramente revelado dos R$ 186 milhões da venda para a Copel, de 45% das ações da empresa Sercomtel. Sabe-se que a venda ocorreu em face de uma dívida (principal e juros) de R$ 38 milhões do Município com o Banco FonteCindam, e algumas outras mais, assumidas na administração Cheida e que somaram, no total, em torno de R$ 70 milhões. Para garantia dessa conta Cheida caucionou 1/3 das ações da Sercomtel. Para retirada da caução e pagamento da conta, a administração Belinati colocou à venda 45% das ações. Questiona-se porque foi necessário vender uma cota tão alta, pois dessa venda sobraram R$ 110 milhões para o Município, e nunca a população foi claramente informada da destinação dada a tanto dinheiro. Com razão Londrina votou contra a venda daquela porção da Sercomtel-mãe. Quarta-feira associações de bairros protocolaram na Promotoria de Defesa dos Direitos Constitucionais um pedido de providência para anular o projeto de lei de sete vereadores (o presidente da Casa incluído), que visa revogar o plebiscito. O fantasma da venda volta a rondar, e o que se ouve nas ruas é que patrimônio público não se vende e que, no caso da Sercomtel Celular, a empresa pode estar sendo mal administrada e por isso dá prejuízo.

mockup