Avaliação da notícia
Fazer um jornal diário exige uma constante avaliação da importância das notícias. Tudo para levar no dia seguinte a melhor e mais completa informação aos leitores. Essa realidade é diária na Folha. Ontem, o exemplo ficou por conta da matéria tratando sobre a dengue, produzida pela sucursal de Curitiba, e veiculada hoje no Caderno Cidade.
Pela manhã, uma equipe saiu para acompanhar uma fiscalização do Centro de Zoonoses da Prefeitura de Curitiba no prédio inacabado que abrigaria o Fórum da cidade. Na semana passada, uma denúncia do presidente do Tribunal de Contas, Rafael Iatauro, mostrava que o local poderia estar servindo de criadouro do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, doença que está aterrorizando os brasileiros.
Fomos em busca da informação que, se confirmada, colocaria os órgãos de Saúde em alerta. Isso porque seria o primeiro foco da doença detectado em pleno centro da cidade, quase de frente para o Palácio Iguaçu, uma área jamais considerada de risco. Seria a prova que o Aedes está se readaptando e já pode ser encontrado em outras áreas atípicas.
No local, os fiscais encontraram larvas de insetos, mas a confirmação se era ou não do mosquito da dengue, ficaria para mais tarde, depois da realização de exames. No meio da tarde, pensávamos que essa matéria poderia ser talvez a manchete do jornal.
Só que uma nova checagem, horas depois, mudou o enfoque do material. Mais precisamente, na liguagem jornalística, derrubou a matéria. É que os exames realizados no material coletado mostraram que as larvas encontradas eram apenas de pernilongo. Com isso, o que seria uma matéria de peso se transformou num material de menor importância, neste caso, para sorte da população.
Adriana Ribeiro





