Uma série de mitos ancorados no preconceito permeia a dificuldade de o obeso encontrar uma oportunidade. Associa-se, inadequadamente, a imagem dele a idéias como a de pouca força de vontade, de lentidão de raciocínio e até de falhas de caráter.
Do ponto de vista psiquiátrico, nada se comprova. ''Gordos e magros têm características de personalidade semelhantes'', explica Alexandre Pinto de Azevedo, psiquiatra do Grupo de Estudos em Comer Compulsivo e Obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo (Grecco).
A psicóloga Fabiana Rosa, do serviço de tratamento à obesidade do Hospital da Baleia, em Belo Horizonte (MG), concorda. ''O peso é ponto contra. Acham que o obeso é lento, burro e não tem determinação. Não é verdade. Se o trabalho não envolve esforço físico, a agilidade é igual.''
Mas há um outro lado nessa moeda, observa Andrea Levy, psicóloga especializada em acompanhamentos pré e pós-operatórios de obesidade. ''A queixa costuma vir acompanhada de um sentimento de autopiedade'', diz ela.
''Quem pesa demais não se sente à vontade com o corpo e se ''encapsula'' num círculo de insegurança e de medo. Não tem coragem de procurar emprego porque acha que não vai conseguir. Chega até a aceitar subempregos.''
Levy atenta para o fato de que a obesidade deixa sequelas no currículo da mesma forma que deixa no corpo. ''Não adianta achar que uma cirurgia de redução de estômago é um passaporte para a alegria. Se o profissional não tem experiência, continuará fora'', diz. (T.D./Folhapress)

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