Ter um pequeno negócio é o sonho de todo desempregado ou de quem gosta de trabalhar com independência. Mas para que ele dê certo e prospere é fundamental que a pessoa seja organizada e controle, rigorosamente, tudo o que ganha e tudo o que gasta.
O consultor financeiro do Sebrae-SP, Luís Alberto F. Lobrigatti, aponta o livro-caixa como uma ferramenta indispensável para qualquer um administrar bem o que faz para viver. O conselho vale tanto para artesãos, cabeleireiras ou manicures independentes, bem como para eletricistas e técnicos especializados em consertos de eletrodomésticos, costureiras e profissionais de muitas outras áreas. Nas papelarias, o livro-caixa custa em torno de R$ 3,50, mas por R$ 1 é possível comprar um caderno simples e transformá-lo em caderneta de controle do movimento diário do dinheiro que entra e sai.
''É ideal reservar um espaço para colocar toda a papelada relativa ao pequeno negócio'', ensina Lobrigatti. Pode ser uma gaveta, um arquivo ou mesmo uma pasta. Além do livro-caixa, o lugar deve servir para guardar notas fiscais, listas de compras, lembretes e todas as anotações e recibos ou documentos relativos ao trabalho autônomo.
Segundo o consultor do Sebrae-SP, muita gente acaba pagando juros exclusivamente por falta de organização. ''Às vezes a pessoa até tem o dinheiro para pagar uma fatura, mas paga atrasado porque ela ficou perdida no meio de papéis sem importância'', conta.
Ele sugere que o controle de caixa seja feito diariamente. ''Tem de marcar direitinho o que recebeu e o que pagou. As anotações têm de ser verdadeiras. Os dados têm de ser exatos, não podendo fazer nada por aproximação ou suposição''. ''Se o dono do dinheiro não cuidar dele, quem cuidará'', pergunta Lobrigatti. O profissional tem de saber exatamente quanto é o seu gasto mensal (aluguel, luz, telefone, etc) para não gastar mais do que poderá receber. Outra dica do consultor: ''Evite ao máximo que as necessidades pessoais interfiram no caixa. Se a idéia é progredir, levar o negócio adiante, fuja dessa mistura. Como? Impondo limites a cumprir''. Ou seja, não faça retiradas do caixa da ''empresa'' a bel-prazer ou para atender a sonhos de consumo.
O autônomo, que pretende manter a freguesia permitindo o parcelamento da compra ou serviço, precisa tomar certos cuidados para não ficar no prejuízo. ''O calote é que leva ao fechamento de muitos negócios'', alerta Lobrigatti. Daí, ele aconselhar o profissional a dar crédito ''com alguma segurança''. Se você vende lanches, por exemplo, nunca deixe o freguês acumular mais de três pedidos para pagar. ''Tem muita gente que come o mês inteiro num ambulante e na hora de pagar parte para outro. Então, não seja ingênuo'', diz. ''Pior que não vender, é vender e não receber'', argumenta o consultor.
''Como todo empreendimento envolve riscos, quanto mais você reduzi-los, melhor'', afirma. Dinheiro falso e cheque roubado são outros problemas para quem trabalha por conta própria. ''Só receba cheque mediante consulta.'' Destaca ainda que o celular já permite ao ambulante trabalhar com cartão de crédito. ''Também é seguro.''

mockup